calçadões encardidos multidões apodrecem eu, do meu lado, espero a chegada do bonde que me leve daqui pra lá. a minha pele reluz, é brilho o sol que escancara todos palhaços e super homens surgem na tevê e na noite, os meninos pretos ficam azuis se elevam até os céus e somem como fumaça. todos só querem fazer a sua parte e ficar muito chapados quero eternizar uma vida para alguém ler mas se eu não me rasgo eu sangro, e da poça que se faz não quero ser. tem dias que acordo com a cabeça pesada tem dias que não quero dormir na luz escura eu me escondo esperando o dia de ser ou qual é.
domingo, 19 de fevereiro de 2017
no frio da rodoviária todos aqueles de trapo se reúnem surgem pelas esquinas e becos sem nome histórias cruzadas que se encontram em um mesmo ponto. uma moça se oferece de vestido preto curto se esconde olhando pelo canto "parece que tá chovendo" e eu confirmo tem o olhar de uma maturidade cor verde opaca meio busto à mostra, sutiã rosa corpo que leva as forma da vida mas de forma cansada. um malabarista me pede um trocado dou minhas moedinhas um rapaz vem junto e diz que estou certo em dar esse fala como o interior bruto, parece que coloca R em tudo ofereço um cigarro, diz que não fuma está esperando ônibus para Ribeirão Pires 5 minutos depois pede um cigarro e moedas que não tenho; sai calmo no breu. um rapaz novo e sujo aparece o faxineiro diz "já te disse neguinho" e ele se funde nas luzes neon eles se cobrem de noite avesso direito de ter as estrelas como companhia. Itapeva - 17
domingo, 12 de fevereiro de 2017
passar uma tarde em Itapuã é um sol que desatina a pico a pele caramelo é uma confusão de ondas que o farol observa aos verdes olhos daquela doce argentina - que gracia! é uma ginga dos vendedores que tudo lhe oferecem, a qualquer preço - puta 100 reais. ir na praça de Vinicius, ler e amar te-lo em si; conhecer a casa do poetinha e querer se encaixar em um canto para ter na pele para sempre a magia di Vina. passar uma tarde em Itapuã falar de amor em Itapuã ver o sorriso de Itapuã Salvador/BA - Fev/17
sábado, 11 de fevereiro de 2017
Salvador a noite é uma festa! o azul laranja do céu as nuvens avolumam-se disputando a atenção do mar com a lua o escuro toma conta da praia somente saveiros e navios lá longe e uma criança a nos dar tchau. a cada esquina, um canto crioulo Salvador é uma orgia de suores. batucada negra a cidade dos pretos se pinta a noite. meu lugar é com meus irmãos de cor com eles me sinto mais leve me sinto mais noite me sinto mais festa Salvador/BA - Fev/17
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017
na praia da Barra, num domingo ninguém esquece não se olha a areia se olha a gente que se canta, se festeja e sente sente o sabor do sol os dedos do mar a festa de quem não tem nada mas num domingo, na praia é rei. os brancos não saem de casa os negros descem a favela e fazem da praia a sua passarela um dia para esquecer segunda ta aí e é fila por vir suor para escorrer suor para esquecer. na praia da Barra, num domingo ninguém esquece um dia para esquecer segunda ta aí a praia se embranquece e fica triste. Salvaodr/BA - Fev/17
terça-feira, 3 de janeiro de 2017
Eu gosto de ficar sozinho. Quando estou sozinho vejo lá de cima o meu egoísmo e a ponta da minha caridade. Gosto de ir ao cinema sozinho, nas praças, praias. shoppings e bares.
Me anima os seus atos e me acalma sentir e imaginar a vida de quem ama, chora e morre e se completa humano. Mas agora aqui pensando, vendo essa casca de vidro: carrego comigo não solidão mas sim muitas pessoas. E delas, eu tenho memória. Eu sou essas e outras e todas mais. Estou revestido de gente que tropeçou em minha vida e eu convidei para dançar. Estou com o livro do poeta gauche que incendiou minhas tardes e a memória de meus amigos. (que saudades) Estou com a calça que me lembra o sorriso de Itaporanga. Estou com a camisa Rock In Rio que lembra a meninice de minha mãe e que ela quis eternizar em mim. Por dentro, só saudade e melancolia revestida de coração. que as vezes aperta. mas que é gostoso ah isso é.