terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Caderno pautado Tilibra preto código D00554T
Vejo ele como uma pessoa, sim desta forma! Crio nele minhas conversas imaginárias, as vezes cotidianas. Talvez eu veja nele a imagem reprimida que tenho de poder me expor à alguém.
Sentimentos, ideias e dúvidas que eu posso jogar ao vento sem me preocupar com críticas ou interrupções.
Mas logo percebo que ele é um objeto inanimado, então a escrita, ou no caso, a fala se torna fria, densa e parada.
De volta ao retraimento
Novamente
sábado, 19 de janeiro de 2013
Criado por Fernando Pessoa
Talvez sim talvez não
Sou um amargurado radicalizando
Sou um representante dos perplexos
Seguidor das dúvidas céticas e métodicas, como diz a filosofia
Para se igualar
Ficar como ninguém
Ser ninguém
E alimentado por Fernando Pessoa:
Não sou nada
Nunca serei nada
Não posso querer ser nada
Talvez sim talvez não
Posso ficar com o carisma, aceito, obrigado
Com as ideias! Que venham em brevidade
Esperançar
Estrebuchar
Fazer
Tudo isso nascido da outra parte do poema de Pessoa
(...)A parte isso tenho em mim todo os sonhos do mundo(...)
Talvez sim talvez não?
sábado, 12 de janeiro de 2013
Céu
Heldina cozinhando
Leon e Hannah estão na sala vendo TV
E eu estou aqui ao vento, vendo nuvens correrem para estrelas chegarem
Ao nada me contento
Para do nada criar
Na brincadeira
Desperdiçoo meu tempo brincando de ser poeta
Nas atrocidades de minhas palavras
No poder delas
Na esperança da repentina camaradagem do entendimento
De mim mesmo ou do de fora
Fora da roda
Do poste
Da corda
Da grande bola
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
No avião
As nuvens cobrem a "beleza" que o homen criou
As luzes vão até o longínquo iluminar a cidade como ela é
No avião à turbulência
A metrópole cinza se enche de brilho lá embaixo
Esse brilho amarelado que ilumina minha visão e os passantes em seus lugares
E agora ela se vai quando a escuridão se precipita
Tudo cinza novamente
De manhã
Como sempre
domingo, 6 de janeiro de 2013
Duas cidades
Estar em uma cidade diferente te faz mais independente, e tem aquele gosto de aventura
Cada rua é um mistério
Cada esquina pode trazer perigos
Estar na cidade onde você mora o faz menos cauteloso e estupidamente igual
Cada rua é um momento único de mesmice
Cada esquina pode trazer um colega de puro desinteresse
Encontrar as mesmas pessoas
Ir nos mesmo lugares
Os mesmos cheiros
As mesmas cores
A monotonia me espera
Tudo triste novamente
Com livros na chuva
Acho que a chuva está passando, ou será que apenas os motoristas assustados já se foram?
Meus pés encharcados entregam a força dela
As poças gigantescas nas esquinas também
O engarrafamento flutuante
O carnaval de cores dos guarda chuvas
Ou mesmo os jeans mais escuros
- Será apenas por causa da chuva? Eu penso.
Ou talvez as trovoadas e relâmpagos atrás do concreto com janelas não intimidaram alguém?
Não sei mais o que dizer.
As chuvas são de fato a forma mais simples de análise da relação amor e ódio humana
Em tardes ociosas são a trilha sonora perfeita para um cochilo, uma leitura ou um beijo.
Em tardes de pico, na volta do trabalho ou quando se está carregados livros antigos garimpados em uma sebo, são seriamente terríveis.
Hoje e agora realmete odeio chuvas!
sábado, 5 de janeiro de 2013
Um irmão por aí
Será que sou uma cópia de mim mesmo feita pra protelar?
Cada o Eu articulador e motivado, pronto pra mudar?
Se ele é Eu e está por aí, com certeza tá dormindo... Só pode.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Um dia em um hospital
Os hospitais despertam em mim várias emoções.
Repulsa
Tristeza
Preocupação
Solidariedade
Entre outros
Entender como eles se manifestam é o que novamente faz meus anseios pelo autoconhecimento se exaltarem.
Repulsa pelo sistema, ou melhor pela falta dele. A síntese completa disso é equivalente ao desprezo e falha no atendimento médico, onde o paciente que por exemplo sofreu um acidente sofre outro: o mal trabalho exercido pelos funcionários da saúde que refletem o mal trabalho exercido pelos funcionários do governo.
Tristeza, pelos atendidos. Como em muitas outras pessoas os hospitais me dão uma sensação ruim, de amargura completada claramente pela tristeza de ver enfermos deitados em macas que foram subitamente transformadas em camas ao relento dos corredores. Além da tristeza compartilhada pela dor de quem acompanho até às salas apertadas, enquanto a solução é aplicada, dá pra sentir a dor do outro nessas horas! O que me resta é segurar e apertar a mão.
Preocupação, pelo o que há depois. Seja na minha vida e na de outro. Não quero chegar a certa idade e ter uma reação em cadeia de doenças e enfermidades, a minha ação inicial nesse momento é de pensar em como emagrecer, comer melhor, praticar esportes e blá blá blá,enfim, melhorar minha saúde. Mas igual à 70% dos brasileiros, acabo não fazendo nada. Será que consigo disputar uma maratona?
Solidariedade, em seu sentido real. O que será que houve? Como posso ajudar? Momentos como esse, onde divides com 20 pessoas uma sala de espera que você acaba sentado (ou de pé na pior das hipóteses) uma eternidade, em certas horas uma conversa é iniciada e tentar compreender é essencial. Tente perceber que seu conhecimento de doenças sempre é leigo.
Entre outros, a maré de pensamentos e indagações que passam: como deve ser a rotina desses enfermeiros e médicos que vêem de tudo? O dia a dia e como se sente depois uma auxiliar de limpeza que lava o sangue que escorre e pinga no chão?
-Grandes pessoas! Me contentei.
Logo depois disso duas enfermeiras passam por mim levando uma pessoa na maca, ela estava com soro e me parecia muito debilitada. Depois de leva-lá a uma sala elas voltam e caminham apressadamente até a porta no início do corredor, e ao passar por mim uma delas me deu um sorriso sincero. Retribui e meu coração se encheu de alegria.
Apesar dos pesares da vida, e no caso do trabalho, ela continua a sorrir