quarta-feira, 19 de agosto de 2015

A moça que se senta dois bancos a frente é muito bonita. 
Penso que ela deveria ser modelo 
O corpo magro, alta, rosto forte - o estereótipo clássico. 
Mas além disso, ela é assumidamente bela 

Olha no celular, se distrai 
Olha no crachá, boceja 
Olha o horizonte e se perde em sua vida 

Não sei se esta feliz, não sei o que pensa 
Mas sei que ela é linda e que deveria ser uma modelo 

Porém, ela não é uma modelo e talvez nunca seja 
Talvez ela nunca almejou ser modelo 
Talvez ela nunca pensou em não sair do seu emprego 
Talvez ela não saiba de sua beleza 
Ou de como o mundo é grande 
E esta lotado de pessoas com medo 
Pois não há mais espaço para sonhadores 

domingo, 9 de agosto de 2015

Elas

tantas vezes perdi seus vultos
tantas vezes me ceguei em seus olhares
assim como desejei que me pintassem com os lábios vermelhos
 
nas fórmulas e formas de seus corpos
eu perdi a conta de quantas contas eu errei
ou como perdi o mapa de seus sonhos  
em meu derradeiro sonhar
 
à elas meu sentido adeus
à elas o meu tímido olá

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Dedicatória à Letícia

Quando me lembro de quanto te amo, 
Meu peito sufoca 

Com você descobri que isso era muito além de palavra 
Mas que ia dos olhos, da boca, das mãos até o peito  

Com você eu sai, 
Pixei muros, vi estrelas 
Mas tantas vezes te vi 
E tantas vezes te perdi 

A você não dedico presentes ou cartas 
Nada físico vale um sentimento 
Só uma parte de mim que te dou 
Não so um poema 
Mas todo o meu amor.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Das formas de se perder

Me entupiu o coração 
Reviver o seu aroma 
Sentido no ar de um ônibus qualquer 

Logo revivi antigos momentos 
Lembrei da minha dureza 
E da sua maneira 

Lembrei das formas como te descobri 
E dos modos como te esqueci  

e me doeu mais ainda continuar a sentir seu cheiro 
enquanto ainda sentia a distância. 

Tento ainda voltar a te ver 
mas acho que você não quer mais. 



Descobri recentemente que você trocou de número  
e não me avisou.

terça-feira, 14 de julho de 2015

poema não finalizado 03

a vida é tão efêmera para tantas experiências
e tão longa para tantas dores
 
noite opaca
o mando doce do céu vira meu jardim, meu cobertor
e olhando para ele
me deito tentando ver além de você
mas não o decifro.
 
torna a ser objeto, relíquia
um fetiche de loucura
a agonias de todos os tontos, que desejam tudo e podem nada na Vida
-como sou pequeno meu deus
-como sou nada

sábado, 27 de junho de 2015

Formigas tão ingênuas e tão pequenas 
Nem se comunicam e vivem na mais perfeita ordem 

Homens tão sabidos e gigantes 
Se comunicam tanto e vivem no mais indefeso caos.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Há muito desperdício 
De ideias 
De gente 
De amores 
De tristeza e de temores. 

Me sinto doente e mal 
Ao ver a ignorância do capital 
A alienação de todos 
Do rico que não conhece nada alem de sua vida 
E do pobre, que não tem noção de seu poder 

O funcionário responsável pela limpeza tem um quartinho  
Enquanto os atletas possuem um armário cada . 
O funcionário responsável pela limpeza e pela organização do vestiário possui um quartinho  
Enquanto os atletas andam pingando e se amando no espelho. 
O funcionário responsável pela limpeza, organização e segurança do vestiário possui apenas um quartinho 
Enquanto os atletas  se lavam em largos banheiros  
O funcionário responsável pela limpeza, organização, segurança e bem estar de todos tem apenas um quartinho 
Enquanto os atletas comentam entre si o resultado do jogo de futebol e quais meninas comeram no final de semana. 
O funcionário que cuida de tudo tem apenas um quartinho e eu mal posso ver seu rosto 
Pois ele se esconde lá  
Com receio de incomodar. 

Andei pelo centro à noite 
Pintado com a luz amarela que cobre a ruas 
Finalmente pude ver as fachadas enrugadas das lojas 
Tentar entender o que significava cada pixe no muro 
E pude com calma olhar o chão esquecido 

Caminhava às 22h pelo centro 
Vendo os casais, tão livres 

No ônibus, a fiscal fala para o motorista sobre a greve 
E causa em mim um contentamento descontente 
Por saber que novos dias virão  
Mas que talvez demorem muito.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Eu me pareço muito com o meu pai. Parece que somos o mesmo em alguns momentos que eu ate sinto pena e vergonha.  

mas minha vergonha é ego, é fragilidade 
É remorso. 
De tudo que vivi, nem metade foi com meu pai. 
Mas eu ainda tento compreende-lo 
E ele, me apoiar. 

Quis chorar no ombro dele, não tive coragem. 
Finjo ser forte, porém com uma roupa de vidro. 
Evitei, mas o abracei forte e não queria largá-lo. quando larguei, queria voltar. Me senti próximo a ele e todo o passado borrou. 
Mas voltou a aparecer depois, pois eu não chorei com meu pai. 
-chorar verdadeiramente com alguém que você ama, é o que transforma garotos em homens.  

Naquele dia eu poderia ter me tornado um homem 
Mas preferi manter minha imaturidade em ceder para não passar vergonha. 

Já meu pai, nunca foi de chorar mesmo 
Mas ele me abraçou forte. 
-abraçar verdadeiramente quem você ama, é o que transforma homens em garotos. 
E ele me apertou, não largou, deu tapas nas costas e deslizou varias vezes suas mãos sobre mim 
Naquele momento, meu pai largou a dureza dos homens rústicos e se jogou no afeto das crianças que amam e cuidam 

Naquele sábado, nós mudamos.

Maria Carolina

Ela berrou, cantou
Esperneou e riu alto
Dançava, e assim, fugia de si
Se armava para com os meninos
Contou uma piada no silencio que consumia o final do assunto
Sorria, contagiando as flores
 
Mas no silencia de sua escuridão
Ela desejava morrer
Virando de lado sentia
Um buraco a se abrir.
 
A solidão deitou-se.
 
Se espera que viva a sorrir
Mas não se entende que possa viver em si
e sentir a ausência de tudo, assim.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Cemitério

ser da noite
com uma sombra quase viva, que se separa a cada passo
caminhando com a alva negra a contornar
as mentes, os pensamentos
e os medos
 
esgueirando nos muros de mijo do cemitério 
vou me desconstruindo cada vez mais
me cobrindo da noite
vestindo sua ternura
desejando seus seres

sexta-feira, 20 de março de 2015

a vida de marina

depois de três anos de pura miséria espiritual
de choros estancados
e de sorrisos lacrados,
marina se matou.

cortara suas forças para que os outros não sentissem mais medo.
                                para que pudesse ser livre

tornava a esconder seus sonhos na gaveta
pois tinha medo de vesti-los

o inferno são outros
              e os outros tomaram marina.

na meia noite
      meia-vida que vivia

maldisse seu último murmúrio 

        no meio fio se jogou
        no meio de tudo se perdeu para sempre

miseravelmente se apagou.

Ela apenas amava e sentia demais por todas as pessoas.

                                                                                                         
                                                                                                                            "Está consumado".

sexta-feira, 6 de março de 2015

Condomínio residencial

condomínios de "alto padrão"
alto padrão de muros
altas estruturas complexas de cimento, blocos e envergaduras
 
altas quantidades de choques
altas alturas para se fechar do mundo, e não enxerga-lo nunca mais
 
para se alienar
e prosperar
 
casas sem muros
quintais requintados
enquanto vizinhos se falam por língua de sinais
 
(mas a senzala ainda está lá fora)