domingo, 28 de setembro de 2014

o barco


percebi que me desloco nos dias
com um empurrão que leva até a sexta
e torna os finais de semanas o único momento
em que a realidade não parece ser tão afiada assim

a nuvem da noite invade o meu quarto. em cada estreito buraco dissemina seu dissabor. em cada parte contamina um desprazer. uma tortura para cada movimento deitado na cama.

meu barco torna a chacoalhar, e os remos que me guiavam, caem por baixo da cama.
nesse meio de sórdida vida perdida,
afundo.

em infinita descida, a cada segundo, questiono o fim de tudo aquilo. e como me dói não ver razão no fim. como me saca as pernas não poder ir contra. como apaga meu coração essa descida que afoga todos os sonhos. e como é tão tardio essa nuvem que derruba meu barco.

passou.

e voltará semana que vem. ainda não sei quando

não encontro janelas que impeçam essa nuvem em entrar.

sábado, 27 de setembro de 2014

pesar

linhas que pareciam tão tortas no passado, e hoje já se enlaçam no final.

talvez se lembrará da tristeza dos artistas, e das palavras, engolidas, tão duras que pesam no vazio do frio da barriga.
não desfilaremos mais sob a luz matuta dos postes. não olharemos mais a chuva como dois bêbados.

o sol agora é seu coração, intenso e vivaz. a lua continuará se parecendo com seu olhar. 
-
árvores centenárias nos conheceram, ainda tenho o cartão de visita.

pregados ainda estamos na nossa cama
amontoados sob nossos pés, ainda estão nossos sonhos
o travesseiro ainda é nosso cúmplice
dos dias lastimados
pela presença
da falta
de você.