domingo, 28 de setembro de 2014
o barco
percebi que me desloco nos dias
com um empurrão que leva até a sexta
e torna os finais de semanas o único momento
em que a realidade não parece ser tão afiada assim
a nuvem da noite invade o meu quarto. em cada estreito buraco dissemina seu dissabor. em cada parte contamina um desprazer. uma tortura para cada movimento deitado na cama.
meu barco torna a chacoalhar, e os remos que me guiavam, caem por baixo da cama.
nesse meio de sórdida vida perdida,
afundo.
em infinita descida, a cada segundo, questiono o fim de tudo aquilo. e como me dói não ver razão no fim. como me saca as pernas não poder ir contra. como apaga meu coração essa descida que afoga todos os sonhos. e como é tão tardio essa nuvem que derruba meu barco.
passou.
e voltará semana que vem. ainda não sei quando
não encontro janelas que impeçam essa nuvem em entrar.
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