tocando a cidade, meus olhos ardem
carros deslizam no asfalto molhado.
em todo olhar, um adeus.
as portas e janelas não protegem nada que a memória não possa abrir.
tarde rosada
as cigarras cantam os amores, e morrem
os gafanhotos declamam embrigadados durante o verão inteiro,
vadios sem ideologia
o Vento convidou um Amor para entrar
se instalaram, ficaram por um tempo
mas nem bem fecharam a porta para ficar para sempre,
já se retiraram
e não levaram ninguém
-Sinto saudades desse amor
conto meus segredos para a chuva
enquanto vejo o topo dos prédios
espio a cidade
lá tudo se reinventa, se pinta
reluz, é vida
mas Tu espia os homens,
estão todos tristes
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
Folha grudada no poste
Se alguém ver Dalva, por favor me avise!
Avisei aos cães da delegacia, e aos heróis do botequim
Fiz correr o lápis nos obituários e afinei os olhos nas praças
Perdi o tom.
Procurei nas estrelas, Dalva não estava lá
Em uma canção de jazz, também sumiu
E no nosso domingo, só a vi em nossas cartas
Talvez até dentro de mim Dalva esteja fugindo
Fugindo de que, meu Deus?
Me ajudem! Se alguém a vir, me avise!
Estou chorando.
As roupas de Dalva morreram
Estou virando migalhas
Digam a ela que estou bem. Que estou mudando para uma garrafa.
Lá os mares são loiros e suas ressacas afogam a lembrança em Dalva.
-não foi Dalva quem sumiu, foi eu.
Avisei aos cães da delegacia, e aos heróis do botequim
Fiz correr o lápis nos obituários e afinei os olhos nas praças
Perdi o tom.
Procurei nas estrelas, Dalva não estava lá
Em uma canção de jazz, também sumiu
E no nosso domingo, só a vi em nossas cartas
Talvez até dentro de mim Dalva esteja fugindo
Fugindo de que, meu Deus?
Me ajudem! Se alguém a vir, me avise!
Estou chorando.
As roupas de Dalva morreram
Estou virando migalhas
Digam a ela que estou bem. Que estou mudando para uma garrafa.
Lá os mares são loiros e suas ressacas afogam a lembrança em Dalva.
-não foi Dalva quem sumiu, foi eu.
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
é/foi
está no copo vazio
no espaço da cama
na janela, no frio
no espaço da cama
na janela, no frio
a ilusão de você voltar pra casa
num verso sem fim
no café que não esfria
nos olhares de uma fotografia
em uma parte de mim
a ilusão de você voltar pra casa
está na boca do motorista
nas paredes, as calçadas
nas capas de revista
no nosso cheiro na almofada
a ilusão de você voltar pra casa
da para ouvir no clamor das rosas
ver nas cores do céu
nas tardes mais ociosas
e nos soluços escondidos de um bordel
a ilusão de você voltar pra casa
as sombras hão de fugir
e todos hão de consentir
que há uma ideia sem sentido, dolorida
tão fugaz, tão perdida
a ilusão de você voltar pra casa.
terça-feira, 14 de outubro de 2014
as vezes, não sabemos o que cada um vive e sente
Um dia eu estava no terminal de ônibus
Atrasando um pouco de propósito para não chegar no horário.
Nas raras vezes em que dá tempo de chegar cedo, eu prefiro manter as tradições
e não chegar no horário
Espiando as pessoas nas múltiplas filas de dar nó
Tão fadadas, esperando ir para casa e reencontrar a dignidade
Eu, enquanto encostado no poste, em sublime observação; uma senhora vem contra mim
Dou um risinho murcho, perspicaz ao olhar o botton com a bandeira americana invertida no peito dela
e penso:
- Velhinha subversiva hein!
E ela me encara, me contorna e vai mexer no lixo atrás de mim
Sinto como um golpe seu embaraço pelo meu olhar indiscreto, fazendo ela abaixar a cabeça para mim
escondendo o olhar
Viro meu rosto também como se esse ato somente afastasse nossa vergonha
Ela passa e sai, volto a olhar para ela
Na sutileza dos segundos praticamente pré-determinados da vida,
ela se vira e me encara
Engulo, me recortando por dentro
Um mísero espaço de tempo em que senti a violência para com os outros
de nossas ações
Eu poderia me sentir inocente, mas inocentes são aqueles que não sentem empatia.
-Naquele dia eu morri.
Atrasando um pouco de propósito para não chegar no horário.
Nas raras vezes em que dá tempo de chegar cedo, eu prefiro manter as tradições
e não chegar no horário
Espiando as pessoas nas múltiplas filas de dar nó
Tão fadadas, esperando ir para casa e reencontrar a dignidade
Eu, enquanto encostado no poste, em sublime observação; uma senhora vem contra mim
Dou um risinho murcho, perspicaz ao olhar o botton com a bandeira americana invertida no peito dela
e penso:
- Velhinha subversiva hein!
E ela me encara, me contorna e vai mexer no lixo atrás de mim
Sinto como um golpe seu embaraço pelo meu olhar indiscreto, fazendo ela abaixar a cabeça para mim
escondendo o olhar
Viro meu rosto também como se esse ato somente afastasse nossa vergonha
Ela passa e sai, volto a olhar para ela
Na sutileza dos segundos praticamente pré-determinados da vida,
ela se vira e me encara
Engulo, me recortando por dentro
Um mísero espaço de tempo em que senti a violência para com os outros
de nossas ações
Eu poderia me sentir inocente, mas inocentes são aqueles que não sentem empatia.
-Naquele dia eu morri.
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
tarde da noite
eu preciso me escrever
preciso escrever sobre a lua na morte da noite
preciso escrever sobre o silêncio da avenida
e das multidões
preciso escrever sobre o nosso atraso já agendado
preciso escrever sobre as palmeiras falsas
e o medo de agradecer
queria poder traduzir o olhar esquecido nas janelas dos ônibus,
e os temores daqueles que sonham
-Queria um milésimo da inspiração humana
queria poder escrever
sobre a perda do inicio de tudo,
e de nós mesmos
queria poder entoar o canto das tristezas
e preencher o copo meio cheio,
meio vazio.
preciso escrever sobre a lua na morte da noite
preciso escrever sobre o silêncio da avenida
e das multidões
preciso escrever sobre o nosso atraso já agendado
preciso escrever sobre as palmeiras falsas
e o medo de agradecer
queria poder traduzir o olhar esquecido nas janelas dos ônibus,
e os temores daqueles que sonham
-Queria um milésimo da inspiração humana
queria poder escrever
sobre a perda do inicio de tudo,
e de nós mesmos
queria poder entoar o canto das tristezas
e preencher o copo meio cheio,
meio vazio.
vozfobia
pelo teor machista da sociedade
ele ficou bêbado e começou
a não gostar de sua voz
sabe, ele queria ter uma voz que
dilacerasse as palavras, fazendo
com cada vez que uma palavra velha,
parecesse nova
queria ter uma voz que não batesse à porta
incomodasse
uma voz que tocasse até os ossos
e esquentasse o coração
uma voz assassina
uma voz com todas as palavras do mundo
uma voz sem catracas
sem todas as fortalezas
não queria que sua voz fosse todas
mas que se enturmasse na canção de todas
..."calando todas as vozes"...
queria que sua voz replicasse todos os gritos
e abrisse assim, as fechaduras
que estão presas nas vozes de todos sem voz
sábado, 11 de outubro de 2014
eu falhei
falhei com as pessoas que eu amava
falhei com as pessoas que pensava que amava
falhei com todos os meus projetos
falhei com todas as minhas andanças
falhei em tentar organizar uma rotina
falhei em tentar ter uma rotina
falhei em entender os egos
falhei em não derrota-los
falhei nas possibilidades
falhei nas incertezas
falhei em entender o que é justo
falhei em reservar atenção ao próximo
falhei em abrir passagens para todos
falhei em mentir por nada
falhei em fechar os olhos
falhei em não saber quando abri-los
eu falhei.
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Conversas com a chuva
o que vem de ti, chuva?
por que precisa tanto desses ventos para rufar tua raiva?
como pode fazer queimar tanto suas gotas em nós?
e se nos raios se pode iluminar a mais obscura caverna, por que se teme tanto?
e nessa sua voz, o que vem de ti, chuva, senão uma profusão de vida? na noite a nossa morada. o fundo para descobrir nossos monstros.
está tão viva quanto nosso ego, quanto nosso medo
por que precisa tanto desses ventos para rufar tua raiva?
Meu vento vêm para confundir os homens com suas grandezas.
como pode fazer queimar tanto suas gotas em nós?
É para se misturarem ao peso de suas lágrimas.
e se nos raios se pode iluminar a mais obscura caverna, por que se teme tanto?
Do meu raio, somente os sonhos se percebe na caverna. A sua realidade ainda é profunda, turva.
e nessa sua voz, o que vem de ti, chuva, senão uma profusão de vida? na noite a nossa morada. o fundo para descobrir nossos monstros.
A cantiga de dormir predileta, abafando a loucura dos homens.
está tão viva quanto nosso ego, quanto nosso medo
e tão quente quanta nossa tristeza...
Somente a chuva acompanha a todos.
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
a cidade é mais triste sem os meninos
a cidade sem os meninos é mais triste
não há mais paz nas ruas sem eles
nem há freada quando a bola pula na frente do carro.
meu Pai sempre dizia:
- quando corre a bola, corre um menino atrás.
não batem pernas mais nos campos
-
janelas mortas
a luz no topo dos prédios vira constelação
não sabem do natal
nem bambeiam no carnaval
desfilam na apoteose da avenida, da marginal
bailando em rodopios
em mio aos carros à mil
sem fantasia, sem fantasiar
a cidade mais triste
é meninos
mas não os percebe
perde-se tudo nas cidades, como também perde-se os meninos.
como meninos, perdem-se em si
nos terrenos baldios
e nas falácias
mais triste os meninos sem a cidade
por fugir do choro de sede
e da morte por nada
é cidade sem os meninos
que desaparecem num piscar do dia
nas falas do sr.
nos recantos de uma dor
e nas palavras de todo amor
não há mais paz nas ruas sem eles
nem há freada quando a bola pula na frente do carro.
meu Pai sempre dizia:
- quando corre a bola, corre um menino atrás.
não batem pernas mais nos campos
-
janelas mortas
a luz no topo dos prédios vira constelação
não sabem do natal
nem bambeiam no carnaval
desfilam na apoteose da avenida, da marginal
bailando em rodopios
em mio aos carros à mil
sem fantasia, sem fantasiar
a cidade mais triste
é meninos
mas não os percebe
perde-se tudo nas cidades, como também perde-se os meninos.
como meninos, perdem-se em si
nos terrenos baldios
e nas falácias
mais triste os meninos sem a cidade
por fugir do choro de sede
e da morte por nada
é cidade sem os meninos
que desaparecem num piscar do dia
nas falas do sr.
nos recantos de uma dor
e nas palavras de todo amor
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
maria carolina
ela berrou, cantou
esperneou e riu alto
dançava, e assim, fugia de si
se armava para com os meninos
contou uma piada no silencio que consumia o final do assunto
sorria, contagiando as flores
mas no silencia de sua escuridão
ela desejava morrer
virando de lado sentia
um buraco a se abrir.
a solidão deitou-se.
se espera que viva a sorrir
mas não se entende que possa viver em si
e sentir a ausência de tudo, assim.
esperneou e riu alto
dançava, e assim, fugia de si
se armava para com os meninos
contou uma piada no silencio que consumia o final do assunto
sorria, contagiando as flores
mas no silencia de sua escuridão
ela desejava morrer
virando de lado sentia
um buraco a se abrir.
a solidão deitou-se.
se espera que viva a sorrir
mas não se entende que possa viver em si
e sentir a ausência de tudo, assim.
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