a cidade sem os meninos é mais triste
não há mais paz nas ruas sem eles
nem há freada quando a bola pula na frente do carro.
meu Pai sempre dizia:
- quando corre a bola, corre um menino atrás.
não batem pernas mais nos campos
-
janelas mortas
a luz no topo dos prédios vira constelação
não sabem do natal
nem bambeiam no carnaval
desfilam na apoteose da avenida, da marginal
bailando em rodopios
em mio aos carros à mil
sem fantasia, sem fantasiar
a cidade mais triste
é meninos
mas não os percebe
perde-se tudo nas cidades, como também perde-se os meninos.
como meninos, perdem-se em si
nos terrenos baldios
e nas falácias
mais triste os meninos sem a cidade
por fugir do choro de sede
e da morte por nada
é cidade sem os meninos
que desaparecem num piscar do dia
nas falas do sr.
nos recantos de uma dor
e nas palavras de todo amor
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