quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O Balancê

Te balanço no meu canto
Te canto no meu balanço
                                      do meu pé
                                                      da minha cabeça
                                                                                do meu coração
Te balanço de tristeza
e seu cabelo me afunda
- É o seu aflito que me transforma

Te balanço de ideias
e te arrebato na minha tela
                                        na minha foto
                                                             na minha canção

Te balanço nos meus braços
Te balanço no meu coração
.

A madrugada de todos nós

       A madrugada é apenas sentimento, ilusão
talvez alheio as sensações
     
Ela não tem cheiro
                                    nem cor

Você não sabe se ela gosta do Rio ou de São Paulo
             
                                Ela é única

Feita de olhos barrados
e movimentos m i
                         
                              n í
                             
                                         mo
                                                 s

Eclética em todos os gostos
E segura de si quando alimenta o ócio

Ainda te espero na minha noite (sem) de sonhos.



quarta-feira, 17 de julho de 2013

Um diálogo escutado no ponto de ônibus

-Você tem mil anos, disse a neta
-Eu não, e você? Respondeu a vó
-Eu tenho 11, falou a garota
-Não, você tem 135 e já tá caindo aos pedaços, eu tenho mil e ainda aguento firme! Retrucou a senhora

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Descrição de uma infância feliz

Puxa, quebra, bate, morde
Lambe, torce, põe, acorde

Alcança, pança, cansa, dança
Balança, festança, lembrança

Abaixe, dorme, levante, sacode
Pega, corre, torce, pode

Rasga, tropeça, depressa, aquieta
Pega, empresta, espera, bicicleta

Sapato, patos, bola, acerola
paçoca, escola, Frajola, carambola

João, José, Matheus e Maria
Paulo, Edu, Carlos, alegria!

Carrinho, Sol, boneca, petéca
Cachorro, viagem, paisagem, sapeca

Arroz, feijão, milho e ovo
Laranja, mamão, e jiló de novo!

Abraço, beijo, história, gargarejo
Brincar, aprender, desejo

8, 9, 10, 11 e 12
Desenho, tardes, foto e pose

Crescer
Viver

Fazer
Acontecer

Quente no frio

Devo lhe pedir perdão?
Incitar o que já foi, não existe mais?
Será que se, foi construído algo, não desabou depois da tempestade?

Passamos nas vidas das pessoas como ventos
As vezes, como furacões, que arrastam, inesquecíveis.
Como redemoinhos, rodopiando por aí, procurando, e só encontrando nós mesmos no final.

Não creio que seja, isso, dos tolos
Nem dos desavisados
Até os precavidos sofrem
Pode ser, é claro, até dos que correm atrás dessa aventura, que não se sujeitam aos modos e modisses

A platonice explica, a ciência argumenta
A mente aceita, e tenta cuidar (acho que na maioria das vezes, ela sofre)
O corpo sente
E a sua vida também.

É que, chegou o amor junto da cama, nesse tempo de frio
Ele te abraçará
Te deixará quente
Te manterá até assim até o afluir, seguro e infinitamente inacabado e perfeito

Em abraços
E beijos

domingo, 24 de março de 2013

Seu Pedro I

Mãe: Amanhã vou trabalhar, chega de ficar em casa

Avô: Vai trabalhar? Ah eu to procurando quem inventou o serviço, o cara que inventou essa coisa de trabalhar

Eu: Tá procurando é?

Avô: Aham, e quanto eu encontrar ele, vai se ver comigo...

Eu: Vai fazer o que?

Avô: Meter a mão na cara dele!

Após minha risada fechada e realização de felicidade interna, meu avô terminou o jantar e disse:
- Ah diaxo! Agora eu vou dormir que amanhã "tem" que trabalhar!

sábado, 9 de março de 2013

Na festa de amigo secreto, vi a Marcela

Eu estava experimentando os inúmeros salgados na mesa junto com o meu amigo. Risadas e gestos se misturavam a vontade de comer os petiscos, e o movimento que ia me empurrando até o final da mesa, conturbava a degustação.
Eu já tinha observado ela. Somos próximos por motivos similares; conhecidos apenas por intermédio de outros, mas isso não importa.
Ela estava com o pessoal de sua classe fazendo o mesmo que eu, só que com a elegância feminina é claro. Percebi que começou a me observar, então depois do trabalho de eliminar a atenção de meu colega, eu a olhei:
Não lembro do tempo andado, das pessoas conversando, e nem do aroma das coisas. Foi fulminante e certeiro, nossos olhares, que graças a vergonha adolescente se separaram rápido.
Olhamos pra baixo, porém em outro instante rápido, nos encontramos novamente, no olhar.

Nunca esquecerei daqueles olhos discretos e curiosos; em uma completa cena de cinema.

A lembrança ainda é clara e encantadora.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

De manhã

Adoro as manhãs Lucy

Junto da relva molhada
Ao som de pássaros acompanhados da batida do silêncio

As luzes são vivas e novas, não cansadas como as da tarde
Perfeita em simplicidade, principalmente acompanhada do céu azul, que aos poucos vai acordando as nuvens

As manhãs são o começo pra tudo desde da preparação pra as aulas ao início de pegar no batente
Elas podem ser o cenário, a trilha sonora e a iluminação de futuros inícios, inícios para tudo

Elas continuaram presente

Sua cúmplice

Certamente são o delírio dos falsos trovadores

Ah como as manhãs são poéticas...





Obs: após ler, escute a música "Revolving Doors" do Gorillaz
Link: http://www.youtube.com/watch?v=VuFG7b9TmhU

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Quem sabe isso

Eu tenho uma vontade de compartilhar contigo tudo que estou assistindo, querendo assistir, lendo, querendo ler, fazendo e querendo fazer.

É talvez desumano tentar sugar do outro essa atenção toda mas é só você que eu creio ser digna disso.

Agora já moderadamente me pego imaginando eu contando casos e acasos, rindo e vivendo infinitamente, nos mesmo clichês deliciosos de sempre.

Essas coisas podem não acontecer no que chamam de vida real, mas suprem o que sinto, e enquanto ocorrem gradativamente, que dure para sempre!

Sou ridículo

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Caderno pautado Tilibra preto código D00554T

Eu não vejo meu caderno de escrita como um diário, por exemplo. Não gosto daquela coisa de falar diariamente sobre meu dia, que eu fiz isso e aquilo ou que comprei pão.
Vejo ele como uma pessoa, sim desta forma! Crio nele minhas conversas imaginárias, as vezes cotidianas. Talvez eu veja nele a imagem reprimida que tenho de poder me expor à alguém.
Sentimentos, ideias e dúvidas que eu posso jogar ao vento sem me preocupar com críticas ou interrupções.
Mas logo percebo que ele é um objeto inanimado, então a escrita, ou no caso, a fala se torna fria, densa e parada.
De volta ao retraimento
Novamente

sábado, 19 de janeiro de 2013

Criado por Fernando Pessoa

Talvez sim talvez não

Sou um amargurado radicalizando

Sou um representante dos perplexos

Seguidor das dúvidas céticas e métodicas, como diz a filosofia

Para se igualar
Ficar como ninguém
Ser ninguém
E alimentado por Fernando Pessoa:

Não sou nada
Nunca serei nada
Não posso querer ser nada

Talvez sim talvez não

Posso ficar com o carisma, aceito, obrigado

Com as ideias! Que venham em brevidade

Esperançar
Estrebuchar
Fazer
Tudo isso nascido da outra parte do poema de Pessoa

(...)A parte isso tenho em mim todo os sonhos do mundo(...)

Talvez sim talvez não?

sábado, 12 de janeiro de 2013

Céu

Meu pai está no banheiro
Heldina cozinhando
Leon e Hannah estão na sala vendo TV
E eu estou aqui ao vento, vendo nuvens correrem para estrelas chegarem
Ao nada me contento
Para do nada criar

Na brincadeira

Desperdiçoo meu tempo brincando de ser poeta

Nas atrocidades de minhas palavras

No poder delas

Na esperança da repentina camaradagem do entendimento

De mim mesmo ou do de fora

Fora da roda

Do poste

Da corda

Da grande bola

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

No avião

As nuvens cobrem a "beleza" que o homen criou

As luzes vão até o longínquo iluminar a cidade como ela é

No avião à turbulência

A metrópole cinza se enche de brilho lá embaixo

Esse brilho amarelado que ilumina minha visão e os passantes em seus lugares

E agora ela se vai quando a escuridão se precipita

Tudo cinza novamente

De manhã

Como sempre

domingo, 6 de janeiro de 2013

Duas cidades

Estar em uma cidade diferente te faz mais independente, e tem aquele gosto de aventura

Cada rua é um mistério

Cada esquina pode trazer perigos

Estar na cidade onde você mora o faz menos cauteloso e estupidamente igual

Cada rua é um momento único de mesmice

Cada esquina pode trazer um colega de puro desinteresse

Encontrar as mesmas pessoas

Ir nos mesmo lugares

Os mesmos cheiros

As mesmas cores

A monotonia me espera

Tudo triste novamente

Com livros na chuva

Acho que a chuva está passando, ou será que apenas os motoristas assustados já se foram?

Meus pés encharcados entregam a força dela

As poças gigantescas nas esquinas também

O engarrafamento flutuante

O carnaval de cores dos guarda chuvas

Ou mesmo os jeans mais escuros
- Será apenas por causa da chuva? Eu penso.
Ou talvez as trovoadas e relâmpagos atrás do concreto com janelas não intimidaram alguém?

Não sei mais o que dizer.

As chuvas são de fato a forma mais simples de análise da relação amor e ódio humana

Em tardes ociosas são a trilha sonora perfeita para um cochilo, uma leitura ou um beijo.

Em tardes de pico, na volta do trabalho ou quando se está carregados livros antigos garimpados em uma sebo,  são seriamente terríveis.

Hoje e agora realmete odeio chuvas!

sábado, 5 de janeiro de 2013

Um irmão por aí

Será que sou uma cópia de mim mesmo feita pra protelar?

Cada o Eu articulador e motivado, pronto pra mudar?

Se ele é Eu e está por aí, com certeza tá dormindo... Só pode.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Um dia em um hospital

Os hospitais despertam em mim várias emoções.

Repulsa
Tristeza
Preocupação
Solidariedade
Entre outros

Entender como eles se manifestam é o que novamente faz meus anseios pelo autoconhecimento se exaltarem.

Repulsa pelo sistema, ou melhor pela falta dele. A síntese completa disso é equivalente ao desprezo e falha no atendimento médico, onde o paciente que por exemplo sofreu um acidente sofre outro: o mal trabalho exercido pelos funcionários da saúde que refletem o mal trabalho exercido pelos funcionários do governo.

Tristeza, pelos atendidos. Como em muitas outras pessoas os hospitais me dão uma sensação ruim, de amargura completada claramente pela tristeza de ver enfermos deitados em macas que foram subitamente transformadas em camas ao relento dos corredores. Além da tristeza compartilhada pela dor de quem acompanho até às salas apertadas, enquanto a solução é aplicada, dá pra sentir a dor do outro nessas horas! O que me resta é segurar e apertar a mão.

Preocupação, pelo o que há depois. Seja na minha vida e na de outro. Não quero chegar a certa idade e ter uma reação em cadeia de doenças e enfermidades, a minha ação inicial nesse momento é de pensar em como emagrecer, comer melhor, praticar esportes e blá blá blá,enfim, melhorar minha saúde. Mas igual à 70% dos brasileiros, acabo não fazendo nada. Será que consigo disputar uma maratona?

Solidariedade, em seu sentido real. O que será que houve? Como posso ajudar? Momentos como esse, onde divides com 20 pessoas uma sala de espera que você acaba sentado (ou de pé na pior das hipóteses) uma eternidade, em certas horas uma conversa é iniciada e tentar compreender é essencial. Tente perceber que seu conhecimento de doenças sempre é leigo.

Entre outros, a maré de pensamentos e indagações que passam: como deve ser a rotina desses enfermeiros e médicos que vêem de tudo? O dia a dia e como se sente depois uma auxiliar de limpeza que lava o sangue que escorre e pinga no chão?
-Grandes pessoas! Me contentei.

Logo depois disso duas enfermeiras passam por mim levando uma pessoa na maca, ela estava com soro e me parecia muito debilitada. Depois de leva-lá a uma sala elas voltam e caminham apressadamente até a porta no início do corredor, e ao passar por mim uma delas me deu um sorriso sincero. Retribui e meu coração se encheu de alegria.

Apesar dos pesares da vida, e no caso do trabalho, ela continua a sorrir