quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Hoje é meu aniversário

Hoje é meu aniversário
E eu não quero presentes.

Meus companheiros estão cá fora, lutando
E eu estou aqui
Nessa Folha de papel
Digital

O que nós dizemos?
O que nós fizemos?

Olhando o movimento da rua
Eu quero chorar

Nó sono picotado no ônibus
Meu corpo era atirado em um espaço infinito


Vejo a moça no ponto de ônibus
Penso se ela queria ser desejada
Ou se se condenava atraente
Será que ela Sonha com sexo. Será que ela ainda ama alguém

Hoje é meu aniversário
E eu estou sedado com tristeza

Não lembro de todas as suas palavras
Queria te beijar
Mas não é isso que define o quanto eu gosto de você.

Eu sou mais profundo do que isso
Mais valente do que me para
Mais tudo que eu criei achando que eram os outros

Hoje é meu aniversário
E eu vou dormir ainda com aquela sensação de uau

Fizeram meu dia ser um dia
Fizeram a vida valer a pena
ela se mostrou bela e audaciosa





quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Caminhada

Um homem gordo subia a avenida com sua bicicleta e parou. Tirou seu lenço, esfregou na cara molhada , olhou para frente e seguiu.
Achei isso poético

Há barulho do motor do ônibus
Não dá para ouvir as pessoas
Ou o peso da consciência

Há muito barulho na vida
Não da para ouvir ninguém.


O corpo da manhã me acalma a alma
O que não falaram sobre a chuva ainda?
Sobre a chuva na vidraça

Armações do Natal de 2013 que ainda estão lá
Crianças brancas na festa da festinha
Com seus dedos gordos cabelos molhados na festa

Moto moto moto 3x
Carro carro carro (bis)

É a canção que a vida moderna fez
Na fundo a periferia da o grito final
Mas o que importa é ritimo do caixa
Trimm trim

Que casa grande!  Para que tanto tijolo?
Três carros enfileirados na garagem. Pôster de filme.
O dono olha com uma satisfação de chorar

Em vão entro em uma rua que tinha por desconhecia
Não há mais caminhos novos
Labirinto de mim mesmo

Camiseta que gruda no peito
Uma multidão de pinicadas nas costas
Cabeça coça
Boca seca de vida

O mundo está pegando fogo
Mas está tudo bem

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Do chão duro nasceu leve
Es calma como a cor da manhã
E na sua timidez, se esconde de todos
És tudo que o mundo rejeitas e cria


Certamente é mais corajosa do que eu
Que quando vi moça chorando quis dizer vai ficar tudo bem
Mas eu só pude querer

À sua volta, terra e cimento
Pois é só isso que os homens tem

Eles te desejam
Mas não podem tê-la

Veja as janelas dos prédios
Elas são os olhos dos homens
Que se escondem ao te ver

Espiam cá fora sua perfeição
O contato em livros e TVs é o máximo que eles tiveram com você

Agora que reapareceu viva no chão,  eles te estranham
Es mudança demais para a vida de um homem

Tu traz paz e perseverança

És uma flor que rompeu a realidade
És uma flor que rompeu a dureza
Dos homens
Da calçada 
Quando volto para casa o meu pé dói 
Como seu meu pé estivesse maior que o tênis

O carro funerário é a locomotiva que puxa a fileira de carros
No rosto das pessoas, remorso e solidão
A linha fina que puxa um carro ao outro desassossegado meu passamento
E eu me incomodo com a parte de baixo da camisa, que fica subindo quando bate na mochila, conforme eu vou andando

Um senhor desconhecido me cumprimenta
Me diz oi eu digo opa
E a vida futura segue
Com a calma de que as coisas assim são as melhores

As unhas encardida do dono da pastelaria não me preocupam
Nem o band-aid em seu pé

Decifro o cabelo daquela morena
Que em seus olhos guarda em miúdos uma simplicidade divina

Carros importados escapamentos furados
Nada importa a não ser a beleza dos seres

Em uma praça,  um senhor sossegado ao lado bar divide a calçada com sacolas de lixo
Ele fuma atenciosamente seu cigarro
E levanta cada copo de cerveja com paciência
Não ha tempo nem pressa
Somente o cigarro e a cerveja
Devagar ele acende mais um
E como para não perder cada gota ele bebe mais um
Ha beleza no velho da praça?

Ou ha beleza na floricultura ao seu lado
Que permanece imóvel ao tempo e aos prédios
Como um ato rebelde ao cinza
Ha beleza na floricultura?

Eu não sei bem
Mas eu quero saber de tudo
Quero estar em todos os lugares
Quero ser todos e faltar de todos

Pois se não ha imagem que mais define tudo do que um velho e a floricultura
Eu não sei o que há 

sábado, 1 de outubro de 2016

Menino pobre, já todo pisoteado
Leva na pele a cor do chão

Menino pobre, não consegue mais dormir
Mas não o fazia porque sentia sono
Mas sim porque a fome exigia

Sua mãe também lhe dava cachaça
Que era o que o dopava para aguentar
A fome que vinha-lhe toda noite
A atormentar.