domingo, 7 de agosto de 2016

manada de ônibus
matilhas de mendigos
aglomerados de cães no resto do restaurante limpam os dentes e pagam a conta.

num cubo qualquer, a alcateia da igreja se reúne. prosperam, ideologizam e uivam para deus. 
Ele não os ouve .

abre o sinal. o enxame de motos passa
fecha o sinal. O formigueiro pode passar

nas vitrines, na galeria eu não reconheço mais

o homem que construiu sua selva agora tenta dormir em paz. 
faz o possivel para estabelecer um ecossistema de bem
outros, procuram sobreviver.


mas já era impossível distinguir quem era homem, quem era porco.

sábado, 6 de agosto de 2016

vi um senhor varrendo o chão de uma floricultura
e achei isso uma das cenas mais bonitas que já vi.

caminhões barulhentos, aviões, berros e marretas
nada pode ser mais forte do que um senhor varrendo o chão de uma floricultura

é tão singelo, tão revolucionário.


mansões palacianas. carros último modelo. roupas caras com jacaré no peito. os amores que perdi.
nada me interessa.
somente o senhor varrendo o chão da floricultura

em um vislumbre, sei que ele vai falecer um dia
quem cuidará dessa pequena floricultura que é somente uma caixinha?

gostaria de poder mantê-la
para que continue sendo um gesto solitário contra o mundo
mas que seja pelo menos isso, que continue sendo isso

que permaneça contraventora, simples e bela a cena
de um senhor varrendo o chão de uma floricultura.