calçadões encardidos
multidões apodrecem
eu, do meu lado, espero
a chegada do bonde que me leve daqui
pra lá.
a minha pele reluz, é brilho
o sol que escancara todos
palhaços e super homens surgem na tevê
e na noite, os meninos pretos
ficam azuis
se elevam até os céus e somem
como fumaça.
todos só querem fazer a sua parte
e ficar muito chapados
quero eternizar uma vida para alguém ler
mas se eu não me rasgo
eu sangro,
e da poça que se faz não quero ser.
tem dias que acordo com a cabeça pesada
tem dias que não quero dormir
na luz escura eu me escondo
esperando o dia de ser
ou qual é.