sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

ei você, nós

que somos tão sérios

que negamos nosso corpo

que pintamos as unhas

as peles.

que mofamos

que marcamos o tempo em nossos pés, mãos e pescoço



você, nós

que gosta de tragédia

e esmaga o menor na sarjeta

-há tragédia maior?



você, nós

que só tem tempo de dormir no ônibus

que esquece o arroz no fogo

que tem medo de olhar nos olhos



sim, voce!

que come hipocrisia

e agora ta com pressa.

que se mata um pouco por dia

atrás do que já tem.



sim, nós!



você que é pobre, mas vota na direita.

e você que é rico, critica a "ditadura cubana" mas quer uma no brasil



você

que não sabe como escutar musica

que não conhece nada difícil

que não termina nada

que não chora.

você



que não vê poesia em uma tirinha

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

expectativa/realidade


lembro dos sábados cinzentos
lembro dos acidentes
lembro dos desenhos
lembro dos presidentes

lembro dos faróis demarcando seus lugares na avenida
       
                      da barriga de meu pai ser meu travesseiro

    das bolas de futebol me driblando

               do sol afunilado na nossa cabeça

lembro da saia de minha mãe ser uma grande cortina;
                                           cortina de embaraço

              onde é permitido se esconder em todas as situações

seja
de suas amigas solteironas; que tem memória curta quanto a tamanho de crianças
ou da  canalhice dos meninos mais velhos.

não havia tristeza para mim pelo mundo ser tão grande.

***
"são tempos difíceis para os sonhadores", amélie uma vez me disse

mas acho que não, nós temos muito tempo
e é fácil, pois comemos utopia a toda hora

                     ou cheiramos carreteis de fé.

só tragando um belo coração é que se compreende que a vida vai demorar para se desenrolar, contemplando uma felicidade real-
                                                             e assim se espera que dure para sempre, sem queimar o dedo no final.

não são tempos difíceis, amélie
    -difícil é eclipse solar misto ou encontrar um chester vivo!

difícil é acreditar em nada.
acredite em alguma coisa e verás como é linda e maluca a esperança!
não há ideia que não sobreviva no tempo
os homens morrem, os dias também.
mas uma ideia não.
                         

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

quero terminar o dia em silêncio.
contemplando aquilo que ele nos conta; tudo que pode revelar.

a taciturnidade cortante que nasce quando estamos a sós com nossa fantasia.
um silêncio que abrace a voz dos deuses

que te faz chorar na quentura da noite escura.

na mudez que dorme no peito
ou no dessas pessoas na sala de jantar
                                                            - ocupadas em nascer e morrer -
quero reservar um silêncio baderneiro
 - com megafone, poesia e tudo.

---
as vezes, eu não sei das afinidades.

observo as ruas e penso que elas estão pensando.

talvez a caloria de seus rostos não namore o mormaço de suas mentes.


quero chorar, mas meu pranto não tem voz contra o silêncio.


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

você tremia, como uma flor ao vento
me olhava por baixo, me desconstruía
pela sua mão, parecia que faziam 40º
porém sua boca congelou o espaço-tempo-físico-celestial-bláblá

antes nos lábios miúdos montados no carmim
         me via clamando por você

agora nos dentes que se batem em descompasso
          sei no que poderia ter feito.



estive olhando sua foto do perfil
e me peguei pensando no porquê de você não me responder mais;
se está gostando de alguém,
ou se ainda se sente sozinha.





você deixou uma marca em carne viva.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

na minha mente correm dois rios

na minha mente correm dois rios.


um que floresceu recentemente
e corre impunemente.


e outro - persistente no tempo - que ainda se preserva em meio ao entupimento de seu fluxo.


Ao meu barco, ronda uma névoa de indecisão.

pela dúvida de qual rio suicida tomar.

domingo, 23 de novembro de 2014


um grande marginal roubou a minha poesia!

um homem de bem roubou o grande marginal!

papeis roubaram o homem de bem!

e eu? eu sou só mais um, eu sou ninguém.
eu sou raso
nada largo
modestamente oco.

você? tuas mãos estão pincelando os homens
o teu coração come mundos!
teus olhos fizeram os prédios acordarem!
***



quero este marginal imediamente preso!

que a lei caia sobre ele e afunde seu âmago
chega dessa beleza que está florescendo em seu peito, chega!
***



a lei não suporta os homens.
ele não atinge a todos
não tocou o marginal

a lei, não está em todas os meios
e nem fins
não a lei para o que esse marginal faz

seu próximo delito será sabe-se deus lá quando!
anda por aí roubando mentes confusas
e corações vazios



um grande marginal roubou a minha poesia.



domingo, 16 de novembro de 2014

Pornopopéia

quero quebrar tuas paredes
engolir a tua respiração
matar minha sede no teu suor
ouvir todos os tons que você tem
e te ver posta a navegar, na imensidão de um mar de leite.

dentro das saias afiadas
no olhares tempestuosos das mal-ditas mulheres
existe sua chama estrondosa.

das mil faces
das mil mortes


seus grandes e pequenos lábios 👄
que nos beija
que nos fala,
destilam os segredos mais sobreis de todos nós
dos quais me enlambuzo de beber

mas na manha seguinte, uma criança torna a acordar
e no meio da cama, uma fossa se abre
enquanto o magnetismo dos olhares antes turvos,
se desmancha.

nas vitrines, nas mesas, nas mãos, nas bolsas,
existem vários sonhos.

dos meus, somente a janela vê.

para eles, uma razão infinita.
mas com prazo de validade
e mentiras, lavadas com verdade
para servirem com o que desejam.


assim também como meus sonhos


que duram apenas uma noite.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Meu amigo

Meu amigo, eu vou te falar
Como eu não sei te amar!
Tua grandeza envergonha até o mais ridículo tirano
e tua humildade quebra a magia até do mais pobre pastor

Mesmo no porte que os deuses não esperavam nada
Tu soube se portar!
No traquejo das mais encardidas sensações de todos nós, infelizes -
 - Um Lucas, do nome que significa luminoso -
soube como torna-las luz, exibindo nossa melancolia
nossa razão
nossa cabeça dura
e acima de tudo, nossa platonice tão sentida

Apóstolo Paulo tinha Lucas como discípulo,
e com ele andava a pregar.
Nós como grandes céticos, até de nós mesmos,
seguimos a nadar em nossa poesia.
Pingando lágrimas em palavras
e ondas em versos.

Meu amigo, você conseguiu congelar memórias em estrofes
e assim esculpe cada letra com verdadeiro apreço.

Agora entendi o porquê da homenagem - quase premoníaca - de sua mãe:

- São Lucas é padroeiro dos artistas.

Terças de cinema sem enxergar direito a tela
Soltando pipa ou indo ver os porcos no sítio
Exagerando a dose
Confiando cada palavra de angústia
Tecendo no horizonte
Alguma fé
Na chuva
Na ternura
Na luta.

Meu amigo, eu vou te falar
Como eu não sei te amar!

Para o fiel camarada Lucas Faustino  

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Isabel nunca viu o mar


Isabel nunca viu o mar. Nunca se libertou nas águas salgadas, nunca pisou na areia quente. Entretanto, Isabel morava em uma cidade litorânea. Em meio a isso, como pode ela nunca ter ido de encontro ao mar? Isabel também não sabia, talvez dependesse dela, ou talvez não, quem sabe? Ninguém sabe.
Isabel trabalhava. O dia inteiro ela estava em total concentração, nos movimentos ímpares para não errar. Dentro do hostil galpão, ela beirava a fraca luz que entrava pela janeleta e se imaginava em delírios no mar. Na contemplação dos dias, no milésimo de folga, ela ouvia dos grandes quem era o mar. Vultoso, sedutor, eloquente – este era o mar de Isabel.
O caminho para o mar era aberto para os grandes. Belas avenidas os vomitavam direto lá. A areia se transformava em seus quintais e tudo era permitido. Um dia, um dos de Isabel encontrou esse caminho. Por indicação baixa de alguém, encontrou a oportunidade e a seguiu.
Já Isabel, pobre de si, nem sonhava com isso. Não existiram oportunidades. O mar era distante, mas ela sabia que existia! Um outro dia, um dos de Isabel discutiu com um grande. O pobre condenado conseguiu o que queria com muito esmo: ver o mar também. Entendia isso como seu direito. E lá se foi ele de sunga vermelha e boia no braço dançar no mar.
Isabel não foi, não sabia disso. Desenhava em seus sonhos uma miragem do que seria o mar. Alguns dos seus o encontravam, e nunca voltaram. Mudaram de roupas, costumes e gostos depois de descobrirem o mar. Isabel não, sempre continuou a mesma, dona de si, possuidora de nada.
Isabel nos seus últimos dias, se controlava para não chorar. Nunca descobrira o mar, nunca. Se virando de lado, se apertando contra o frio ela não parou de imaginar. A imagem do mar que a acompanhou durante a vida foi se apagando, apagando até o último fio de azul. Isabel fechou os olhos. Ela nunca viveu o seu mar.

sábado, 1 de novembro de 2014

da primeira vez que te vi, sabia que iria te perder.
é como a melancolia de deitar na cama e remoer
remoer todos os significados
as palavras não ditas
as chances de se mostrar por dentro
uma esfinge que não se vê.

por que é tão difícil escrever sobre você? mas tão fácil te colocar aqui
numa cama vazia
num sonho cheio
nos gestos e rostos de todo mundo

talvez eu não saiba sofrer.
talvez eu seja mais um pseudo-qualquer coisa
mas eu não sei ser você
não sei te carregar

os amores passados foram
os novos desejos queimaram
e você, onde está?

você está em lugar nenhum

eu perco a escrita
minha mão se atropela
e eu delírio de sono
porém persisto
tentando escrever você

ainda sim, a fraqueza incomoda tanto
não deixa a escrita continuar
ela grita que não posso fazer isso
que está ruim, que não sei mais o que
dizem que escrever poesia é ver o mundo com lentes bêbadas
- ninguém está pensando nisso quando atravessa a rua

pois senão, a tua poesia me prendeu na cama
nadei na pureza
vivo todos os l'amour de forma intensa, de explodir por dentro
não tenho mais onde rasgar palavras
é culpa minha se eu não sei o que quero

-Desculpa se te fiz chorar.
p/ Geovanna
deitado no lado da cama onde sempre fico enquanto converso com você

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

No dia 31 de Outubro e sempre

tocando a cidade, meus olhos ardem

carros deslizam no asfalto molhado.

em todo olhar, um adeus.

as portas e janelas não protegem nada que a memória não possa abrir.

tarde rosada
as cigarras cantam os amores, e morrem
os gafanhotos declamam embrigadados durante o verão inteiro,
vadios sem ideologia

o Vento convidou um Amor para entrar
se instalaram, ficaram por um tempo
mas nem bem fecharam a porta para ficar para sempre,
já se retiraram
e não levaram ninguém

-Sinto saudades desse amor

conto meus segredos para a chuva
enquanto vejo o topo dos prédios
espio a cidade
lá tudo se reinventa, se pinta
reluz, é vida

mas Tu espia os homens,
estão todos tristes

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Folha grudada no poste

Se alguém ver Dalva, por favor me avise!
Avisei aos cães da delegacia, e aos heróis do botequim

Fiz correr o lápis nos obituários e afinei os olhos nas praças
Perdi o tom.

Procurei nas estrelas, Dalva não estava lá
Em uma canção de jazz, também sumiu
E no nosso domingo, só a vi em nossas cartas
Talvez até dentro de mim Dalva esteja fugindo

Fugindo de que, meu Deus?
Me ajudem! Se alguém a vir, me avise!

Estou chorando.

As roupas de Dalva morreram
Estou virando migalhas

Digam a ela que estou bem. Que estou mudando para uma garrafa.
Lá os mares são loiros e suas ressacas afogam a lembrança em Dalva.

-não foi Dalva quem sumiu, foi eu.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Meu pobre caderninho, 
me desculpe por não ter sido generoso contigo

a poesia nos mata de amargura
um pouco por dia

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

é/foi

está no copo vazio
no espaço da cama
na janela, no frio
a ilusão de você voltar pra casa

num verso sem fim
no café que não esfria
nos olhares de uma fotografia
em uma parte de mim
a ilusão de você voltar pra casa

está na boca do motorista
nas paredes, as calçadas
nas capas de revista
no nosso cheiro na almofada
a ilusão de você voltar pra casa

da para ouvir no clamor das rosas
ver nas cores do céu
nas tardes mais ociosas
e nos soluços escondidos de um bordel
a ilusão de você voltar pra casa
as sombras hão de fugir
e todos hão de consentir
que há uma ideia sem sentido, dolorida
tão fugaz, tão perdida
a ilusão de você voltar pra casa.


terça-feira, 14 de outubro de 2014

as vezes, não sabemos o que cada um vive e sente

Um dia eu estava no terminal de ônibus
Atrasando um pouco de propósito para não chegar no horário.
Nas raras vezes em que dá tempo de chegar cedo, eu prefiro manter as tradições
e não chegar no horário

Espiando as pessoas nas múltiplas filas de dar nó
Tão fadadas, esperando ir para casa e reencontrar a dignidade

Eu, enquanto encostado no poste, em sublime observação; uma senhora vem contra mim
Dou um risinho murcho, perspicaz ao olhar o botton com a bandeira americana invertida no peito dela
e penso:
- Velhinha subversiva hein!
E ela me encara, me contorna e vai mexer no lixo atrás de mim

Sinto como um golpe seu embaraço pelo meu olhar indiscreto, fazendo ela abaixar a cabeça para mim
escondendo o olhar
Viro meu rosto também como se esse ato somente afastasse nossa vergonha

Ela passa e sai, volto a olhar para ela
Na sutileza dos segundos praticamente pré-determinados da vida,
ela se vira e me encara

Engulo, me recortando por dentro
Um mísero espaço de tempo em que senti a violência para com os outros
de nossas ações

Eu poderia me sentir inocente, mas inocentes são aqueles que não sentem empatia.

-Naquele dia eu morri.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

tarde da noite

eu preciso me escrever
preciso escrever sobre a lua na morte da noite
preciso escrever sobre o silêncio da avenida
                                                                  e das multidões

preciso escrever sobre o nosso atraso já agendado
preciso escrever sobre as palmeiras falsas
                                                              e o medo de agradecer

queria poder traduzir o olhar esquecido nas janelas dos ônibus,
                                                                                              e os temores daqueles que sonham

-Queria um milésimo da inspiração humana

queria poder escrever
sobre a perda do inicio de tudo,
                                               e de nós mesmos
queria poder entoar o canto das tristezas
e preencher o copo meio cheio,
                                               meio vazio.

vozfobia

pelo teor machista da sociedade
ele ficou bêbado e começou 
a não gostar de sua voz

sabe, ele queria ter uma voz que 
dilacerasse as palavras, fazendo
com cada vez que uma palavra velha,
parecesse nova

queria ter uma voz que não batesse à porta
incomodasse

uma voz que tocasse até os ossos
e esquentasse o coração

uma voz assassina
uma voz com todas as palavras do mundo

uma voz sem catracas
sem todas as fortalezas

não queria que sua voz fosse todas
mas que se enturmasse na canção de todas

..."calando todas as vozes"...

queria que sua voz replicasse todos  os gritos
e abrisse assim, as fechaduras

que estão presas nas vozes de todos sem voz


sábado, 11 de outubro de 2014


eu falhei
falhei com as pessoas que eu amava
falhei com as pessoas que pensava que amava
falhei com todos os meus projetos
falhei com todas as minhas andanças
falhei em tentar organizar uma rotina
falhei em tentar ter uma rotina
falhei em entender os egos
falhei em não derrota-los
falhei nas possibilidades
falhei nas incertezas
falhei em entender o que é justo
falhei em reservar atenção ao próximo
falhei em abrir passagens para todos
falhei em mentir por nada
falhei em fechar os olhos
falhei em não saber quando abri-los
eu falhei.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Conversas com a chuva

o que vem de ti, chuva?
por que precisa tanto desses ventos para rufar tua raiva?
                             
    Meu vento vêm para confundir os homens com suas grandezas.



como pode fazer queimar tanto suas gotas em nós?

É para se misturarem ao peso de suas lágrimas.



e se nos raios se pode iluminar a mais obscura caverna, por que se teme tanto?

Do meu raio, somente os sonhos se percebe na caverna. A sua realidade ainda é profunda, turva.



e nessa sua voz, o que vem de ti, chuva, senão uma profusão de vida? na noite a nossa morada. o fundo para descobrir nossos monstros.
A cantiga de dormir predileta, abafando a loucura dos homens.



está tão viva quanto nosso ego, quanto nosso medo
e tão quente quanta nossa tristeza...
Somente a chuva acompanha a todos.


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

a cidade é mais triste sem os meninos

a cidade sem os meninos é mais triste
não há mais paz nas ruas sem eles
nem há freada quando a bola pula na frente do carro.
meu Pai sempre dizia:
- quando corre a bola, corre um menino atrás.

não batem pernas mais nos campos
-
janelas mortas
a luz no topo dos prédios vira constelação

não sabem do natal
nem bambeiam no carnaval

desfilam na apoteose da avenida, da marginal
bailando em rodopios
em mio aos carros à mil
sem fantasia, sem fantasiar

a cidade mais triste
é meninos
mas não os percebe

perde-se tudo nas cidades, como também perde-se os meninos.
como meninos, perdem-se em si
nos terrenos baldios
e nas falácias

mais triste os meninos sem a cidade
por fugir do choro de sede
e da morte por nada

é cidade sem os meninos
que desaparecem num piscar do dia
nas falas do sr.
nos recantos de uma dor
e nas palavras de todo amor


quarta-feira, 1 de outubro de 2014

maria carolina

ela berrou, cantou
esperneou e riu alto
dançava, e assim, fugia de si
se armava para com os meninos
contou uma piada no silencio que consumia o final do assunto

sorria, contagiando as flores


mas no silencia de sua escuridão

ela desejava morrer

virando de lado sentia

um buraco a se abrir.



a solidão deitou-se.



se espera que viva a sorrir
mas não se entende que possa viver em si

e sentir a ausência de tudo, assim.

domingo, 28 de setembro de 2014

o barco


percebi que me desloco nos dias
com um empurrão que leva até a sexta
e torna os finais de semanas o único momento
em que a realidade não parece ser tão afiada assim

a nuvem da noite invade o meu quarto. em cada estreito buraco dissemina seu dissabor. em cada parte contamina um desprazer. uma tortura para cada movimento deitado na cama.

meu barco torna a chacoalhar, e os remos que me guiavam, caem por baixo da cama.
nesse meio de sórdida vida perdida,
afundo.

em infinita descida, a cada segundo, questiono o fim de tudo aquilo. e como me dói não ver razão no fim. como me saca as pernas não poder ir contra. como apaga meu coração essa descida que afoga todos os sonhos. e como é tão tardio essa nuvem que derruba meu barco.

passou.

e voltará semana que vem. ainda não sei quando

não encontro janelas que impeçam essa nuvem em entrar.

sábado, 27 de setembro de 2014

pesar

linhas que pareciam tão tortas no passado, e hoje já se enlaçam no final.

talvez se lembrará da tristeza dos artistas, e das palavras, engolidas, tão duras que pesam no vazio do frio da barriga.
não desfilaremos mais sob a luz matuta dos postes. não olharemos mais a chuva como dois bêbados.

o sol agora é seu coração, intenso e vivaz. a lua continuará se parecendo com seu olhar. 
-
árvores centenárias nos conheceram, ainda tenho o cartão de visita.

pregados ainda estamos na nossa cama
amontoados sob nossos pés, ainda estão nossos sonhos
o travesseiro ainda é nosso cúmplice
dos dias lastimados
pela presença
da falta
de você.

domingo, 31 de agosto de 2014

Os poetas atrás do riacho


Não sei da deles
Só sei do que vem
De suas criações
Das entonações
Não cabem na livraria
Na rua ninguém ouviria
Suas emoções
As anedotas de suas vidas
Talvez seja a sabedoria
Que cria parcerias
Com o mar
O amar O vento
O penso
O Tento
De nós
Não esperam a solidão
Pois criam a paixão
Nem tentam mal dizer
Se esperam pra chover, para chamar a criação

Os poetas cheiram a verdade
E não reduzem a linguagem
Se dão o licencio
Contra o silencio.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

face a face


Não gosto de ler somente o seu “visualizado às”
A secura dessas letras na tela pareciam mais com nuvens se não fosse essa tela.
Te aproximam mas mesmo assim estamos distantes

Não é da falta de assunto que eu não gosto
É da falta de tudo

Eu não gosto é de pensar
De pensar extravagancias e exageros em segundos que parecem erupções
Nem de contar os dias
Que parecem que já estão contados

Queria saltar diante tudo
Diante meus pensamentos
E diante teu esquecimento

Diante a qualquer tela de computador
Qualquer distância
E qualquer rede que não aproxima, e muito menos balança.

sábado, 9 de agosto de 2014

Poema N° 2

Se toda dor
É uma flor
A saudade é
Seu espinho

Enquanto cabe ao caule
Ser a forma da esperança
Esperando um vaso de carinho

Cada pétala chora,
E a memória implora
Para a mágoa ligeira
Que vem das correntezas da seca
Deste triste sertão
Que é o seu coração

Cabe a alguém
Pois crescer só, não convém
Tirar meus insetos
Me trazer para este teto

Pois agora meu murcho jazias
Desde que você brotou
No amanhecer dos meus dias.

Sou preto, portanto sou todas as cores
Sou todas as dores
Das noites frias das senzalas
Ao quente sangue no asfalto que estala

Da mão seca na terra úmida
Do suor vivo no rosto morto
Sou fruto do povo
Que celebra suas origens

terça-feira, 29 de julho de 2014

A Carolina


Aperta o botão, ascende à luz. Carolina vê imediatamente sua imagem no espelho. Naquele momento não pensa nada. Somente olha para seu busto nu refletido. Dentro de si, pensa nas noites que perdeu (ou ganhou) e no que fazer de sua vida. Todo dia ela pensa: O que eu estou fazendo da minha vida? O que eu fiz de diferente? O que eu não fiz? Todo mundo pensa nisso, porém ninguém sabe o que fazer! O que eu devo fazer então?  E isso deixa Carolina ainda mais melancólica frente sua imagem. A madrugada começa a invadir o banheiro, e ela, a passar batom em seus lábios. Sabe do seu fascino, da delicadeza de sua pele, e do seu olhar corrosivo. Os olhos verdes saltam conforme contorna de preto suas pálpebras. Procura fazer pouco barulho, fazendo todos os movimentos em um perfeito misto de suavidade e seriedade.
-Todo esse tempo, talvez, eu não estive aqui. Somente uma cópia de mim.
Ao longo dos seus 17 anos, sempre se sentia como um arrastado final de semana, Carolina sempre teve medo. Somente medo. Medo de todas as circunstancias, medo das imagens, medo das falas, medo dos seus pensamentos e também dos outros. Só vestia medo, hoje, porém, trocou de roupa.  Carregava em seu olhar, um fundo de paisagem, compenetrada em silêncio, respeitando seu exílio, seu próprio abandono. Apesar de si mesmo, cultivava no amanhã, dias melhores. Idealizava seu futuro ao lado de Ricardo, seu namorado de 21 anos. Para ela, Ricardo era a realização da perfeição. Aquele que não a julgava, respeitava. E que fazia o que ninguém ainda aprendeu: amar. Ele queria viajar com ela, o quanto antes, em direção à Machu Pichu. Ela não tinha certeza. Certeza de nada.
Saiu às 4h da madrugada. Colocara seu vestindo justo em vinil preto em conjunto com os saltos. Batom vermelho em destaque. O frio não aborrecia suas longas pernas desnudas.  Uma menina que se transformara em mulher em 30 minutos. Na bolsinha, documentos, balas, alguns trocados. Na cabeça, dúvidas. A avistei na esquina da Rio Branco com a Braguinha. Colocava meio corpo dentro da janela de um carro, somente pernas pra fora com os joelhos quase se dobrando.
6h da manhã e seus pais olham incrédulos a desorganização do quarto. Leem um bilhete, mais uma vez. Ela, a mãe, chora. Ele, o pai, olha para o chão.
- O que nós fizemos de errado? O que eu não compramos a ela?
- Se acalme, toda manhã ela volta pra casa...
Porém, dessa vez, Carolina não voltou.

As Três Marias e a Aparecida da Terra


A mulher que eu vejo é a dos cabelos presos, das pestanas consumidas e dos sonhos de pura teoria. Essa mulher é o lugar comum das donas de casa e das intelectuais Não da para descrever a mulher que eu vejo O busto, pesado. As mãos, áridas. No rosto, um olhar acolhedor, mas que desafia o mal, junto aos lábios que já desejaram tudo nessa vida. Mas que mulher é essa que eu vejo? As sombras das suas olheiras poderiam ser entendidas como símbolo da destreza. Talvez até a voz lírica vire canto dos pássaros. Essa mulher é como uma dúvida, sendo tão desafiadora, indesvendável no início, que ao final, na total compreensão, torna tudo fluído, abrindo passagem a todas as nossas razões da vida.
E essa "Maria" a terra, resplandece tão intenso e vivo, que é maior do que todas as Marias no céu.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Criolo uma vez disse que "trabalhador brasileiro é tratado que nem lixo". Eu acho que é pior.

É tão normal
Que ninguém percebe
O quanto a desigualdade é visceral

Multidão monocromática, se protegendo do frio
Se aquecendo somente com o arrepio
Você não sabe quanta coisa se entende
Vendo nessa gente, a marca doente
Que forma no olhar, transformando dor
Em suor, do pobre trabalhador

Mais uma fila, dessa vez do ônibus
Transformando a força decadente do operário
Do Estado-protozoário
Em presa fácil dos urubus

Aqui perto tem uma praça
De vez em sempre dormem uns mendigos
Vexados, "grandes perigos"
Banhados a imagem de grande murraça

E nos seios pátria mãe tão gentil
Esses, dormem!
Embaixo da bandeira da nação
Que não protege seu provável filho
De não fugir do trocadilho
E da triste dor da negação

No outro lado tem um shopping
Também de prováveis filhos seus
Mortos trabalhando nesse imenso coliseu

Chego ao hospital, tive febre
Eram 14:40, agora já são 16:44
Em meio ao desanimo, você escuta Histórias.
Mas é simples: Todos estão cansados.

Vou para casa então, vou caminhando
Lá, leio comentários das notícias: quanta asneirada!
Porém, me conforto nas atividades da companheirada
E já sinto em meu coração: a revolução está chegando.



quarta-feira, 9 de julho de 2014

Conjunto de tercetos e dísticos nascidos no hospital

Feitos em meio a tédio e sem pretensão alguma com realmente nada

O barulho da ambulância invade o local
Dentro, as pessoas aguardam tratamento
Ou a achegada do último momento.


A sala de espera, de um zunido estressante
Representa o silencio pungente
De quem não para de reclamar um instante.


A luz reflete nos olhos cansados da senhora, que parece uma máquina de dar corda, que quase parando, esvaecendo das saudades de outrora.


Se a espera é grande, e a paciência não é monge
O espaço é pequeno, e a fila vai longe.


Os enfermeiros começam a chamar 
Maria, Paulo, José e nada do pobre nome
Angústia consome, mas não é pior que a fome.


Seu nome na lista é mais difícil que convocação
Ou ganhar no show do milhão.

  
Quando entrei reparei em uma moça bonita
Mas que se vestia feito uma eremita.


Com o médico, três palavras foi o necessário
Para o "eficiente" doutor, escrever todo o receituário.


Encaminhado para tomar duas injeções
Resultado: indo embora não conseguia andar
E em casa não conseguia sentar.


A saúde já se tornou uma loteria
Ou para que está disposto a pagar essa mercadoria.





domingo, 6 de julho de 2014

No frio das noites


Noite densa, com vento frio, incomodando as orelhas. Embaixo da marquise, no centro, tentando se esconder no vão, na sombra. Logo a frente vem um pequeno grupo de meninos. O que fazem na rua a essa hora da madrugada? Quando se aproximam, a tal senhora - tratada assim por respeito, pois não sabemos a idade ao certo, mas talvez uns 45 – novamente se esconde na sombra do vão da marquise. Eles passam fazendo muito barulho para acordar os moradores, mas mal sabem que quem mora no centro é mercadoria.

Quando eles passam, ela procura sair rápido da sombra e é anunciada pela luz do poste: cabelos pretos, roupas suadas e gastas escuras. Pés descalços. Ela se movimenta rente a parede das lojas de uma maneira rápida, mas com a pisada final sempre muito suave. Tem medo. De tudo e todos, mas principalmente de derrubar o que carrega consigo: um bebê.

Mas porque um bebê em tais mãos a uma hora dessa? E o frio? Incrível como não existe hora importuna para bebês chorarem. Dessa vez ele está tranquilo, não quer nada disso.

Ela chega na esquina e olha para os dois lados. Não está esperando nenhum carro passar, e sim o arrependimento chegar. Atravessa, sempre em linha reta. Decisiva, amargurada, convicta. Nesse instante um rajada de vento vem trazendo frio, e junto poeira, que naturalmente vão em direção sempre ao olho. Ela se fecha procurando proteger o bebê, e o olha nos olhos dele como se fosse a primeira vez.

De volta a corrida, ela se depara na única luz integralmente acessa da rua. É uma porta, que se abre dando com uma única escada. Sendo assim um sobrado. Ela olha para todas as direções possíveis e abre a porta. Se agacha um pouco para ver o topo da escada, que tem uma curva, dando em outra e outra escada. Tem ninguém.

Maldita a hora da dor dos homens, maldito o remorso criado pelos deuses, pois ao se agachar, deixou a pesada manta no chão e apertou a campainha com a raiva de uma vida inteira.

Deixou o bebê. Chorou. Correu e sumiu na rajada fria.

Um deses atos de renuncia que significam amor absoluto.



terça-feira, 10 de junho de 2014

Psico-Online



Branco. Muito Branco.
Havia um pouco do chão também, mas Eleonor não tinha muita certeza. Quando ela começou a andar, não sentia esse chão. Não caminhava, quase se tele-transportava. Um segundo atrás estava se recordando daquela noite no Clube de Dança, agora começara a lembrar alguns momentos do seu dia. Quando se encontrou no espelho, lembrou-se de Alice, e após isso alguns galhos começaram a surgir e plantas também. O Gato de Cheshire apareceu e ela se lembrou do Sr. Pulgas. O inocente gato surgiu segurando um machado e ao seu fundo um exército se movimentava, passando entre Eleonor.
Novamente o silêncio, e aí um trem! Outro carro, um avião. De repente estava dirigindo novamente e escutando a milhões de buzinas no transito da Marginal. Esperou e olhou o rádio. Quando apertou play já se deitava ao lado de seu namorado com The Carpenters ao fundo. A mesma cena antes de adormecer. Olhou de uma forma estranha o entorno. Não sentia a presença física do seu namorado e nem das coisas no quarto. O espaço só existia conforme olhava reto. Atrás ou nos lados talvez somente alguma luz indicando algo, mas nada existia, pois nada é real. Real? Eleonor abriu a porta e caiu.
Caiu, rodopiou e deslizou no ar. Em seguida estava em um bloco de carnaval, encostada atrás de um banheiro químico. Sentiu que já esteve ali. Olhou ao redor, mesma sensação do quarto. Ao virar, esbarrou em seu futuro namorado. Os dois pediram desculpas e a multidão o arrastou. Quando disse “hey”, já estava abrindo a porta para seus amigos. Era 07 de Junho, aniversário de sua mãe. Os convidados entravam, a cumprimentavam e perguntavam: Onde coloco o presente? Eleonor indicou com a cabeça quando subitamente já estava olhando a lápide de seu filho. 2 segundos e seu coração congelou e seus olhos lacrimejaram. Novamente na festa da mãe, indicando o local dos presentes, escutou gritos. Saiu apressada da porta e encontrou todos em volta da piscina aterrorizados. Seu filho se afogara.
Eleonor acordou subitamente. Muito confusa e ofegante. Desceu as escadas e foi beber um copo com água. Derrubou um pouco na pia e quando o líquido passou pelo ralo, ouvisse um som de um pingo em um mar. Eleonor olhou o ralo e estouro! Sua casa estava  inundada em segundos.
 Quando conseguiu abrir a porta, a água saiu e em sua casa só tinha grama. As próprias paredes e escadas sumiram. Por pouco não fora atingida por um bumerangue. Olhou em volta e estava no parque. Seu filho surgiu dizendo que estava com fome. Milhares de dúvidas surgiram na cabeça de Eleonor. Observou uma família embaixo de uma árvore fazendo um piquenique. Percebeu que era ela a criança de roxo, com apenas 7 anos. Quando foi atravessar, para se aproximar, um caminhão em alta velocidade buzinou e Eleonor só teve tempo de olhar a lataria vermelha e o forte farol se aproximando.
Ao acordar, novamente assustada, o quarto tinha a decoração de sua infância, com bonecas jogadas pelo chão. Estava em seu antigo endereço, 10 anos atrás.  Quando acordou viu seu acidente na TV.
Novamente se levantou abruptamente. Procurava no redor do quarto escuro algo. Não sabia o que. Remexeu nos fios de cabelo e pensou em beber água. Ou talvez não. Eleonor percebeu que tudo fora um sonho, talvez um sonho dentro de um sonho. Consternada, tentou acordar seu marido. Quando tocou o braço, sentiu que estava duro e frio. Removeu violentamente o cobertor e encontrou um boneco de testes ao seu lado. De repente uma luz muito.forte refletiu em sua pele, tão forte que Eleonor não enxergava nada a sua frente. Uma porta se abriu e um moço saltou atirando dardos de sono. Bravejou depois no telefone: peguei um dos grandes!
Eleonor sentiu um tipo de queimação, que foi descendo pelo seu corpo até suas partes intimas. Ali se concentrou, elevando o prazer de Eleonor. Enquanto se contorcia, imagens do rosto de seu marido piscavam em sua mente.  Seu tio a tocando no parque quando tinha 7 anos, duramente ressurgiram. Ao mesmo tempo em que sentia prazer, Eleonor tentava fugir dele. No momento do orgasmo, enfim abriu os olhos e nem notou que estava em uma cama descendo pelos céus a uma velocidade astronômica. O movimento das nuvens ainda era em câmera lenta, e os sons da natureza pareciam tão próximos.
Chegou ao chão levantando poeira. Olhou diretamente ao Sol, como se pudesse encara-lo. Por um instante pensou que poderia seduzi-lo. As forças dos raios foram aumentando exponencialmente até o momento que cobriram totalmente a visão de Eleonor. Tudo ao seu redor pegava fogo, menos seu corpo e sua cama. Enquanto ainda olhava em direção ao Sol, começou a sentir que se desprendia de seu corpo, como se realmente sua alma estive deixando seu físico. Começou a correr por entre o fogo, tentando alcançar uma porta, enquanto sentia que sua alma a deixava. Abriu a porta e acordou.
Eleonor estava sentada em sua velha poltrona. Velha sensação estranha. Antes de adormecer estava lendo um livro. O fitou e leu a primeira frase do topo da página: “Dentro de cada um de nós há um outro que não conhecemos. Ele fala conosco através dos sonhos". Confusa, com um ar de vertigem, pensou: será que a realidade também não seria uma fantasia ou ilusão? Olhou a TV que estava muda, era alguma notícia sobre alguém que foi atropelada por um caminhão. Logo sentiu um toque em seu peito. Dessa vez, Eleonor concluiu que tudo estava bem. Resolveu ver a beleza daquele dia. Olhou pela janela: o mundo estava pegando fogo. Novamente voltou a dormir. Novamente acordou.

sábado, 22 de março de 2014

Tem umas vezes
Que eu me deito e deixo a escuridão do quarto me devorar
E rasgo esse fundo com a luz da tela do celular
Sou eu procurando alguma coisa
Fico revirando conversas antigas
Esperando alguma companhia pra acabar com essa ansiedade
Mas apenas consumo distração
Penso em te escrever
E escrevo só olhando para a tela
Tudo que não tenho coragem de digitar
Fico olhando sua foto do perfil sorridente e perguntando se você realmente está feliz
O tempo sai voando pela janela e contorna meu quintal, e nem tento correr atrás
Procrastinar é olhar o chá na caneca
Procrastinar é rabiscar a folha
Procrastinar é ficar subindo e descendo a tela da conversa
Procrastinar é achar que que um dia alguém vai ler isso aqui
Procrastinar é tentar viver todo ocupado
Procrastinar é tentar pensar em você
Em nós.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Compensação da solidão

É na solidão do Sol que me encontro
E nas noites fico a namorar a Lua
E talvez amante da chuva
Na tentativa de compreender a beleza das flores

Olho por muito tempo, de perto, uma flor ao vento
Até perder de vista o que não é mais pétala
E assim murchar feito vida
E perceber a fragilidade do tempo

Para mim, este quê de natural conforta
Tem algo de complacência, carinho e amabilidade
Mas nenhuma palavra difícil importa
Se tenho a certeza de pura felicidade

Do Jardim da casa, uma janela para o mundo
Sinto que posso tocar o céu
E dançar com pássaros ao fundo
Ou simplesmente roubar as estrelas
Feitas do mais puro mel
Que cobrem meus olhos feito véu

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Tentativa

Escrevi teus olhos
Na tentativa de escrever a tua poesia
Achando ser fácil encontrar
Aquelas palavras certas
Aqueles sentimentos

Se fechar no teu abraço
Me esconder nos seus lábios
Se chorara na sua sombra

Sem rima, nem métrica

Mas tá errado eu perder a minha leitura, me perdendo em você

Tá errado eu colocar alguma música ao fundo mas ascender em minha mente
a sua voz

Tá errado se eu me perco no trajeto, porque queria te encontrar

Tá errado eu perder a palavra do poema, só por não saber o que te dizer
E tá errado eu não saber o que te dizer, se não quero te perder