tocando a cidade, meus olhos ardem
carros deslizam no asfalto molhado.
em todo olhar, um adeus.
as portas e janelas não protegem nada que a memória não possa abrir.
tarde rosada
as cigarras cantam os amores, e morrem
os gafanhotos declamam embrigadados durante o verão inteiro,
vadios sem ideologia
o Vento convidou um Amor para entrar
se instalaram, ficaram por um tempo
mas nem bem fecharam a porta para ficar para sempre,
já se retiraram
e não levaram ninguém
-Sinto saudades desse amor
conto meus segredos para a chuva
enquanto vejo o topo dos prédios
espio a cidade
lá tudo se reinventa, se pinta
reluz, é vida
mas Tu espia os homens,
estão todos tristes
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