que somos tão sérios
que negamos nosso corpo
que pintamos as unhas
as peles.
que mofamos
que marcamos o tempo em nossos pés, mãos e pescoço
você, nós
que gosta de tragédia
e esmaga o menor na sarjeta
-há tragédia maior?
você, nós
que só tem tempo de dormir no ônibus
que esquece o arroz no fogo
que tem medo de olhar nos olhos
sim, voce!
que come hipocrisia
e agora ta com pressa.
que se mata um pouco por dia
atrás do que já tem.
sim, nós!
você que é pobre, mas vota na direita.
e você que é rico, critica a "ditadura cubana" mas quer uma no brasil
você
que não sabe como escutar musica
que não conhece nada difícil
que não termina nada
que não chora.
você
que não vê poesia em uma tirinha
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
expectativa/realidade
lembro dos sábados cinzentos
lembro dos acidentes
lembro dos desenhos
lembro dos presidentes
lembro dos faróis demarcando seus lugares na avenida
da barriga de meu pai ser meu travesseiro
das bolas de futebol me driblando
do sol afunilado na nossa cabeça
lembro da saia de minha mãe ser uma grande cortina;
cortina de embaraço
onde é permitido se esconder em todas as situações
seja
de suas amigas solteironas; que tem memória curta quanto a tamanho de crianças
ou da canalhice dos meninos mais velhos.
não havia tristeza para mim pelo mundo ser tão grande.
***
"são tempos difíceis para os sonhadores", amélie uma vez me disse
mas acho que não, nós temos muito tempo
e é fácil, pois comemos utopia a toda hora
ou cheiramos carreteis de fé.
só tragando um belo coração é que se compreende que a vida vai demorar para se desenrolar, contemplando uma felicidade real-
e assim se espera que dure para sempre, sem queimar o dedo no final.
não são tempos difíceis, amélie
-difícil é eclipse solar misto ou encontrar um chester vivo!
difícil é acreditar em nada.
acredite em alguma coisa e verás como é linda e maluca a esperança!
não há ideia que não sobreviva no tempo
os homens morrem, os dias também.
mas uma ideia não.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
quero terminar o dia em silêncio.
contemplando aquilo que ele nos conta; tudo que pode revelar.
a taciturnidade cortante que nasce quando estamos a sós com nossa fantasia.
um silêncio que abrace a voz dos deuses
que te faz chorar na quentura da noite escura.
na mudez que dorme no peito
ou no dessas pessoas na sala de jantar
- ocupadas em nascer e morrer -
quero reservar um silêncio baderneiro
- com megafone, poesia e tudo.
---
as vezes, eu não sei das afinidades.
observo as ruas e penso que elas estão pensando.
talvez a caloria de seus rostos não namore o mormaço de suas mentes.
quero chorar, mas meu pranto não tem voz contra o silêncio.
contemplando aquilo que ele nos conta; tudo que pode revelar.
a taciturnidade cortante que nasce quando estamos a sós com nossa fantasia.
um silêncio que abrace a voz dos deuses
que te faz chorar na quentura da noite escura.
na mudez que dorme no peito
ou no dessas pessoas na sala de jantar
- ocupadas em nascer e morrer -
quero reservar um silêncio baderneiro
- com megafone, poesia e tudo.
---
as vezes, eu não sei das afinidades.
observo as ruas e penso que elas estão pensando.
talvez a caloria de seus rostos não namore o mormaço de suas mentes.
quero chorar, mas meu pranto não tem voz contra o silêncio.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
você tremia, como uma flor ao vento
me olhava por baixo, me desconstruía
pela sua mão, parecia que faziam 40º
porém sua boca congelou o espaço-tempo-físico-celestial-bláblá
antes nos lábios miúdos montados no carmim
me via clamando por você
agora nos dentes que se batem em descompasso
sei no que poderia ter feito.
me olhava por baixo, me desconstruía
pela sua mão, parecia que faziam 40º
porém sua boca congelou o espaço-tempo-físico-celestial-bláblá
antes nos lábios miúdos montados no carmim
me via clamando por você
agora nos dentes que se batem em descompasso
sei no que poderia ter feito.
estive olhando sua foto do perfil
e me peguei pensando no porquê de você não me responder mais;
se está gostando de alguém,
ou se ainda se sente sozinha.
você deixou uma marca em carne viva.
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