segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

expectativa/realidade


lembro dos sábados cinzentos
lembro dos acidentes
lembro dos desenhos
lembro dos presidentes

lembro dos faróis demarcando seus lugares na avenida
       
                      da barriga de meu pai ser meu travesseiro

    das bolas de futebol me driblando

               do sol afunilado na nossa cabeça

lembro da saia de minha mãe ser uma grande cortina;
                                           cortina de embaraço

              onde é permitido se esconder em todas as situações

seja
de suas amigas solteironas; que tem memória curta quanto a tamanho de crianças
ou da  canalhice dos meninos mais velhos.

não havia tristeza para mim pelo mundo ser tão grande.

***
"são tempos difíceis para os sonhadores", amélie uma vez me disse

mas acho que não, nós temos muito tempo
e é fácil, pois comemos utopia a toda hora

                     ou cheiramos carreteis de fé.

só tragando um belo coração é que se compreende que a vida vai demorar para se desenrolar, contemplando uma felicidade real-
                                                             e assim se espera que dure para sempre, sem queimar o dedo no final.

não são tempos difíceis, amélie
    -difícil é eclipse solar misto ou encontrar um chester vivo!

difícil é acreditar em nada.
acredite em alguma coisa e verás como é linda e maluca a esperança!
não há ideia que não sobreviva no tempo
os homens morrem, os dias também.
mas uma ideia não.
                         

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