quarta-feira, 9 de novembro de 2016

N.

Como tudo que envolve você me dói tanto?

Como dói ver nossas mensagens, fotos e discretamente assistir tudo novamente
recriar nosso passado

Cada raio de sol; sujeira no chão
Cada dedo seu no meu rosto
Cada segundo de beijos
Cada músculo nos abraços
cada lágrima caída
 e cada palavra dita

Como tudo isso dói?

Nós nos prometemos tanta coisa

Em fantasia imaginamos uma vida
e tudo se foi...

Como tudo foi acabar? Como tudo se iniciou?

Cada letra que compõem nossas verdades
me acerta em cheio
e faz de meu peito uma prisão
***

Revivi tudo vendo nossas mensagens e os planos malucos que fazíamos para nos encontrar
Hoje, quando conto para meus amigos sobre nossa aventura
conto como se tudo ainda existisse
mas eu chego ao final da história
e ela é um pesadelo que me atinge de tempos em tempos.

***

Vivi muita coisa esse ano
senti tudo e a todos

você queria que eu continuasse
que vivesse mais

mas já foi o bastante para mim.

           
                        você faz falta
***

vendo nossas mensagens eu fui pesquisando por termos que nos marcaram
apelidos, frases, confissões


os verdadeiros "te amo" que dei à alguém

***

realmente, talvez não dê certo
talvez daqui 5 anos eu não seja esse mesmo menino que escreve essas palavras
talvez você nem queira me ver e já tenha esquecido do nosso combinado

mas independente do que a vida nos dê
eu serei eternamente grato pro ter compartilhado uma história com você

e por ter amado
e por ter sido amado.


segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Meu poema secreto

O meu eu para o mundo as vezes vive uma vida atora
Uma vida à toa

O meu eu secreto vive uma vida impostora
De se impor a toa

Vive criando momentos
Falando sozinho
Acreditando estar dando entrevistas para o fantástico
Para programas de TV

Acreditara que estará nos livros
Na estante de alguém
Será bibliografia

Na memória de alguém

Se imaginar é amar
Ele ama a vida e suas formas e caminhos
Suas contradições

Se imaginar é se alienar
Ele é impostor de si mesmo

Afinal, são momentos onde ele quer ser tudo
É tudo
Fez tudo
E ainda teve tempo pra dormir

Se por ora ele é um presidente
Em outra é um escritor
Vai dormir diretor de cinema
E acorda professor

Ele fala frases profundas, de dar no na cabeça
Ele é também das massas, amigo de todos
É tido como um exemplo
E por isso, é cego.

Meu poema secreto revela meu eu segredo
Que até eu tenho medo de conhecer 

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Onde encontrar a paz no meio do caos?

Quando dormimos junto, queria quis seu corpo se juntasse ao meu
Para que eu não perdesse cada suor
Cada um dos seus pelos
Cada uma das pintas
As perfeições que tanta reclama

Deitado em sua barriga
Cada movimento
Via como ondas

Em seu mar eu me jogo
E me afogo

Queria ser parte da sua mente
Para caçar seus demônios internos
E compreender cada fração da sua delicadeza
E sua lente de mundo

Me sinto horrível em não ter a empatia suficiente para te entender

**
Eu estou bem
Eu ficarei bem

No tempo em que te tive
Cresci 5 anos em um 5 minutos

No tempo em que te tive...

***
Amar significa entender e deixar ir

Você encontrará o seu caminho
E ele será repleto de flores, amores e alegrias
Você se sentirá parte do mundo
E ele retribuirá

Não ficarei mal
Pois bem agora estou muito feliz
Em saber que sempre estarei aqui
Para continuar a ver em você
A vida humana cotidiana rica
Em êxtase!





quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Hoje é meu aniversário

Hoje é meu aniversário
E eu não quero presentes.

Meus companheiros estão cá fora, lutando
E eu estou aqui
Nessa Folha de papel
Digital

O que nós dizemos?
O que nós fizemos?

Olhando o movimento da rua
Eu quero chorar

Nó sono picotado no ônibus
Meu corpo era atirado em um espaço infinito


Vejo a moça no ponto de ônibus
Penso se ela queria ser desejada
Ou se se condenava atraente
Será que ela Sonha com sexo. Será que ela ainda ama alguém

Hoje é meu aniversário
E eu estou sedado com tristeza

Não lembro de todas as suas palavras
Queria te beijar
Mas não é isso que define o quanto eu gosto de você.

Eu sou mais profundo do que isso
Mais valente do que me para
Mais tudo que eu criei achando que eram os outros

Hoje é meu aniversário
E eu vou dormir ainda com aquela sensação de uau

Fizeram meu dia ser um dia
Fizeram a vida valer a pena
ela se mostrou bela e audaciosa





quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Caminhada

Um homem gordo subia a avenida com sua bicicleta e parou. Tirou seu lenço, esfregou na cara molhada , olhou para frente e seguiu.
Achei isso poético

Há barulho do motor do ônibus
Não dá para ouvir as pessoas
Ou o peso da consciência

Há muito barulho na vida
Não da para ouvir ninguém.


O corpo da manhã me acalma a alma
O que não falaram sobre a chuva ainda?
Sobre a chuva na vidraça

Armações do Natal de 2013 que ainda estão lá
Crianças brancas na festa da festinha
Com seus dedos gordos cabelos molhados na festa

Moto moto moto 3x
Carro carro carro (bis)

É a canção que a vida moderna fez
Na fundo a periferia da o grito final
Mas o que importa é ritimo do caixa
Trimm trim

Que casa grande!  Para que tanto tijolo?
Três carros enfileirados na garagem. Pôster de filme.
O dono olha com uma satisfação de chorar

Em vão entro em uma rua que tinha por desconhecia
Não há mais caminhos novos
Labirinto de mim mesmo

Camiseta que gruda no peito
Uma multidão de pinicadas nas costas
Cabeça coça
Boca seca de vida

O mundo está pegando fogo
Mas está tudo bem

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Do chão duro nasceu leve
Es calma como a cor da manhã
E na sua timidez, se esconde de todos
És tudo que o mundo rejeitas e cria


Certamente é mais corajosa do que eu
Que quando vi moça chorando quis dizer vai ficar tudo bem
Mas eu só pude querer

À sua volta, terra e cimento
Pois é só isso que os homens tem

Eles te desejam
Mas não podem tê-la

Veja as janelas dos prédios
Elas são os olhos dos homens
Que se escondem ao te ver

Espiam cá fora sua perfeição
O contato em livros e TVs é o máximo que eles tiveram com você

Agora que reapareceu viva no chão,  eles te estranham
Es mudança demais para a vida de um homem

Tu traz paz e perseverança

És uma flor que rompeu a realidade
És uma flor que rompeu a dureza
Dos homens
Da calçada 
Quando volto para casa o meu pé dói 
Como seu meu pé estivesse maior que o tênis

O carro funerário é a locomotiva que puxa a fileira de carros
No rosto das pessoas, remorso e solidão
A linha fina que puxa um carro ao outro desassossegado meu passamento
E eu me incomodo com a parte de baixo da camisa, que fica subindo quando bate na mochila, conforme eu vou andando

Um senhor desconhecido me cumprimenta
Me diz oi eu digo opa
E a vida futura segue
Com a calma de que as coisas assim são as melhores

As unhas encardida do dono da pastelaria não me preocupam
Nem o band-aid em seu pé

Decifro o cabelo daquela morena
Que em seus olhos guarda em miúdos uma simplicidade divina

Carros importados escapamentos furados
Nada importa a não ser a beleza dos seres

Em uma praça,  um senhor sossegado ao lado bar divide a calçada com sacolas de lixo
Ele fuma atenciosamente seu cigarro
E levanta cada copo de cerveja com paciência
Não ha tempo nem pressa
Somente o cigarro e a cerveja
Devagar ele acende mais um
E como para não perder cada gota ele bebe mais um
Ha beleza no velho da praça?

Ou ha beleza na floricultura ao seu lado
Que permanece imóvel ao tempo e aos prédios
Como um ato rebelde ao cinza
Ha beleza na floricultura?

Eu não sei bem
Mas eu quero saber de tudo
Quero estar em todos os lugares
Quero ser todos e faltar de todos

Pois se não ha imagem que mais define tudo do que um velho e a floricultura
Eu não sei o que há 

sábado, 1 de outubro de 2016

Menino pobre, já todo pisoteado
Leva na pele a cor do chão

Menino pobre, não consegue mais dormir
Mas não o fazia porque sentia sono
Mas sim porque a fome exigia

Sua mãe também lhe dava cachaça
Que era o que o dopava para aguentar
A fome que vinha-lhe toda noite
A atormentar.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Reparei que eu só ia até a varanda para fumar

Poucas vezes eu vou para simplesmente estar lá e sentir a atmosfera do lugar.

Eu só ia rápido, fumava,  voltava ao quarto

Achei tudo muito errado.

*

Eu queria falar muita coisa.
Aliás,
eu tenho muita coisa a dizer.

Eu tenho muitas palavras presas na garganta, amarradas na cabeça
mas que não sei como destrinchar .

Quero falar coisas bonitas, usar aquela palavra certa.

eu sei que tenho muito a dizer

*

Eu não quero mais fechar os olhos e sentir meu corpo em pânico.

Fechar os olhos e enxergar dentro de mim,
Bagunça.

Eu não quero ver tudo ruir por medo de enxergar a mim .

*

As nuvens passam e deixam nada

O dia veio como aqueles em que a gente sente
um aperto terrível que não tem explicação

E a gente passa vendo filme,  rabiscando folha, comendo doces,

enquanto o céu, lá fora,
começa a chorar.

*

A gente deveria apreender a ser céu.
      E as pessoas, mais passarinho.

domingo, 7 de agosto de 2016

manada de ônibus
matilhas de mendigos
aglomerados de cães no resto do restaurante limpam os dentes e pagam a conta.

num cubo qualquer, a alcateia da igreja se reúne. prosperam, ideologizam e uivam para deus. 
Ele não os ouve .

abre o sinal. o enxame de motos passa
fecha o sinal. O formigueiro pode passar

nas vitrines, na galeria eu não reconheço mais

o homem que construiu sua selva agora tenta dormir em paz. 
faz o possivel para estabelecer um ecossistema de bem
outros, procuram sobreviver.


mas já era impossível distinguir quem era homem, quem era porco.

sábado, 6 de agosto de 2016

vi um senhor varrendo o chão de uma floricultura
e achei isso uma das cenas mais bonitas que já vi.

caminhões barulhentos, aviões, berros e marretas
nada pode ser mais forte do que um senhor varrendo o chão de uma floricultura

é tão singelo, tão revolucionário.


mansões palacianas. carros último modelo. roupas caras com jacaré no peito. os amores que perdi.
nada me interessa.
somente o senhor varrendo o chão da floricultura

em um vislumbre, sei que ele vai falecer um dia
quem cuidará dessa pequena floricultura que é somente uma caixinha?

gostaria de poder mantê-la
para que continue sendo um gesto solitário contra o mundo
mas que seja pelo menos isso, que continue sendo isso

que permaneça contraventora, simples e bela a cena
de um senhor varrendo o chão de uma floricultura.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Poema de uma trans

Trans significa "além de" em latim.

ser [trans] tudo =
ser [além de] tudo


sobreviver é trans 
ser trans da escola
das carteiras que não nos encaixamos, da lousas que não nos ensinam.
das pessoas que não nos enxergam.

ser trans é ser sempre além da realidade.
é sobreviver em meio as mortes
que liquidam a resistência.

é ser além da casa que nos trancafia ou nos expulsa
ser trans é ser além do que a mísera noção de família cristã conhece como normal.

ser além de, mãe, pai, irmão. É ser doutora, advogada, transformadora social

ser trans é ser trans
ser além de trans
ser além de de além de

ser trans-formar
ser trans-mudança
ser trans-preconceito 

ser além de tudo isso.

os bordéis não são nossas casas
nosso lugar é onde queremos

e todo lugar é trans
todo amor é trans
todo sexo é trans

Ser trans é ser desde pequena
uma fagulha na noite tempestuosa de ódio
é ser além de, normatividade
é ser uma fuligem que pode voar
e chegar a qualquer lugar.

ser trans é ser feliz
é outro estado de vida
outra consciência

é ser além de linda, forte, crítica e lutadora.

ser trans é vestir a roupa da liberdade e pisar com salto 15 nas bolas do terror
da ignorância

ser além de tudo
ser trans é amar a tudo.

trans-forme/se

quarta-feira, 13 de julho de 2016

A gente se acostuma a olhar a cama com estranheza, como se ela fosse uma depósito de roupa suja.
como se o sofá fosse nossa única mordomia.
a gente se acostuma a esperar ansiosamente o ônibus para poder dar uma cochilada
a gente se acostuma, mas não devia.

a gente se acostuma a acordar de olho inchado, tomar café azedo e andar em latas de sardinha móveis carinhosamente apelidadas de ônibus.
a gente se acostuma, mas não devia.

a gente se acostuma a tratar tudo como lixo; descartável.
varremos o chão
e colocamos tudo para debaixo do tapete:
nossos desejos, ambições, amores, trivialidades e desilusões. Pra que tanto medo de ser?

falamos baixinho para não incomodar
enquanto na verdade, queríamos gritar para todos ouvirem:
- ESTOU COM MEDO
- EU TE AMO
- ME AJUDE

sempre nos achamos os inconvenientes. Afinal, ninguém quer escutar um chorão que não agradece o que tem. Afinal, sempre tem alguém pior. Afinal, vai passar, não é?

a gente se acostuma mas não devia.

...
a gente se acostuma mas não devia
a andar com roupas de espinho
ou que apertam os seios;
evitando contato com os outros
deixando de abraçar.

a gente tem vergonha de beijar homem na bochecha
a gente se segura, muda voz, andar ereto, exagera, mente
para não chamarem de ~viado~, ~covarde~ e sei lá mais o que.

a gente se acostuma a viver para os outros, a se vestir para os outros, a comer e agir para os outros.
mas eu também sou um "outro" para alguém! 
então a gente vive para quem mesmo? ou a gente vive para que?

se é para encher a cara no final de semana e sentir aliviado da semana que passou, eu ñ quero fazer isso.
se é para chorar ao sair de casa para trabalhar, eu não quero sentir isso.
se é para fingir estar tudo bem, enquanto o coração se dilacera, eu não quero essa dor.
se é para sentir vergonha das roupas, cabelo, cor da pele, da casa, do bairro, do gênero ou orientação, 
eu não quero mais viver então.

fui à uma festa. me senti deslocado. 
sentado em minha mesa, minha cabeça era igual a um balão
eu quis me morder, rasgar, me estilhaçar
eu quis viver em sossego no canto da cama
no canto do quarto
no canto mais escondido da cidade.
só assim eu estaria livre

será?

...
já que peso do mundo e de minha insignificância no universo me pesa muito
e eu só tenho dois braços...
(intérprete cai)

a gente se acostuma, mas não devia
a não levantar quem cai na rua
seja por vergonha ou indiferença.

nem mesmo aqueles que já caíram há muito tempo e já são parte do chão.

mas faz sentido, ninguém olha mais pro chão mesmo.
afinal, varreram tudo para o tapete.
e deixa lá que tá tudo bem.

mas não tá bem nada! Porque debaixo do tapete tem gente pobre, bêbada.
tem gente negra morta
tem criança órfã viciada
tem ódio, tem interesse, tem ego
tem solidão, desinteresse, apatia e opressão!

a gente se acostuma, mas não devia.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

em minha varanda, estava uma luz muito forte

tão pura e serena que lembrava a morte.


não passava calor e nem frio.
era apenas uma luz que alimentava os rios.



estava alí me dizendo palavras
por vezes, tão doloridas
por ora, agonizantes.



e era ela apenas a Lua
assim, totalmente nua
dizendo: vem, Matheus, sou sua.

terça-feira, 10 de maio de 2016

eu queria poder falar de você
da mesma forma como lhe tenho em minha mente.


olho a folha. paro e reflito. me perco na maré de pensamento. te esqueço. você vem novamente. desisto.


essa é a 10ª vez que quero te fazer poema


te fazer poema, te poemizar
te fazer sorrir, te fazer se entender
                                                 
                                                                                                  te ter.


não há métrica, espaço, forma/gênero que te classifique

o poema na verdade, é você mesma.


quinta-feira, 5 de maio de 2016

Notas de uma quarta-feira

Todo dia meu estômago embrulha
Todo dia quero me matar, queimar minha pele
Me rasgar por inteiro
Me afogar no sangue

Me da convulsões, coágulos na cabeça
Presenciar toda essa sujeira

Essas crianças sujas, de pés encardidos
Esses camaradas sujos, puxando carrinho
Toda essa gente imunda

Dos meus privilégios cuido eu
Não sei como reconhece-Los

Espero o ônibus. Vou para a escola. Livros na mão.
Passa o menino, leva nada a não ser paciência

De esperar o juízo final (ele acredita em Deus? )
Alguém voltar. Alguém chegar
Alguém ajudar.

Remexe no lixo. Começo a escrever esse poema e essas linhas inicias. Queimo em brasa viva

Me nocauteio a cada mexida dele no lixo. Sou finalizado no instante em que policiais o abordam. Ganha prêmio quem mata mais.

- não temos que nos culpar pelos privilégios que temos. Foram nossos avós e tataravôs que proporcionaram esses privilégios. Eles só queriam o bem de seu povo. Esse é o problema . Já dizia o Alex Castro

Mas na real, me culpo por essas pessoas não terem privilégios.
Estou estudando por vocês, para vcs

sábado, 30 de abril de 2016

Sentado na varanda, de cueca e pés gelados
eu confundo a cidade.

suas ruas pintadas de amarelo, a aluz que atinge a tudo
as luzes minisculas no fundo parecem até lampadas de natal

os gatos, bem boemios e amigos da noite, se aventuram.
os cães, presos, latem por liberdade desejando a vida de seus inimigos

acendo um cigarro, um clarinho de luz na sombra da noite
vejo o céu, ele quer falar alguma coisa
suas súplicas são enviadas em clarões
e iluminam o cobertor escuro que esconde as estrelas
                                              talvez elas estejam dormindo


...
uma estrela surge
sei que ela deseja me dizer algo
ela vai e vem, some e aparece mantendo seu mistério
não consigo decifrar

e eu permaneço sentado. decifrável, vulnerável.
                                                                             elas não.

...


uma estrela sonambula surge
se despe para mim
atordoa meus olhos
                                me encanta


e eu ascendo mais um cigarro
imaginando, esperando
                                        
                                                o dia que terei uma estrela para mim


t.

Fui revirar pastas
Encontrar umas fotos, textos e link
E econtrei uma foto sua
Salva, de sua foto do perfil


Bendito seja Deus que fez eu salvar essa foto
Ja que essa é a última recordação física que tenho de vc 
Os cds que te fiz, perdi todos
Os vídeos que te enviei, não sei onde estão 
Pelo menos algumas poesias dedicadas a vc, estão aqui 
Mas não é o bastante.


Engraçado que hoje mesmo, ao encontrar meus textos e sua foto
Encontrei esses velhos poemas
...E como doi le-los


Faz tempo, dois anos
E ainda lembro de vc de forma fixa.
Mas parece que a casa dia,  uma memória vai se apagando
Sua voz ja sumiu de minha Mente
Mas seu rosto dando risada, não 
Algum dia em que te vi sexy, linda ja sumiu 
Mas vc chorando e brav,  não.


Não quero esquecer mais nada, porém não da
É a bosta da mente querendo liberar espaço 


Mas sua memória em mim que importa

Na verdade, não sei se realmente importa 
Não sei onde estás.. Vc mudou de número ou me bloqueou . Sua última visualização foi no dia 26/10 de 2014. Data do meu aniversário.


Agorinha, me peguei olhando essa foto que salvei. A única!
Fixo,  dei zoom, fui caminhando pela foto
E aí vem uma jaula no coração, que aperta
Contraio o rosto. 

me entristece

Ano passado, no final do ano fui fazer a prova da bolsa e te encontrei. Na verdade te encontraram e falaram que tu estava la
Fiquei com medo de falar com vc, uma vergonha 
Tentei fazer com que me visse
Sei que reparou em mim. E sei que virou de lado para eu não te reconhecer
Mas sei da sua vergonha e como gosta de ficar sozinha.


Foi a oportunidade perfeita para pelo menos dizer um oi 
E diminuir um pouco a saudade que sinto agora


Acredito que um dia nos encontraremos 
Acredito que te darei mais um beijo 
E que sentirei mais uma vez sua mão quente


Acredito que deixarei de me continuar me arrependo por não ter te falado nada antes, sobre o quanto gostava de vc

Espero que possa um dia ler meus poemas
Que lembre de mim
E que escute o que tenho a dizer
E que não suma novamente sem me dizer o que sentia 
Para eu me tranquilizar, e parar de me emocionar ao lembrar de vc.


sábado, 23 de abril de 2016

Sent[ir]

Há tempos que venho tentando puxar de algum assunto mal compreendido, um tema.
Somente frases soltas, tentativas de sonetos para amigos e toda a fragilidade das coisas a por linha na minha cabeça .
São muitas as inspirações, mas poucas as intenções


Há o pinicar dos dias,  a água parada a por umidade nas paredes
Ou as brincadeira de criança que acontecem em Brasília 
Ou o corte que acontece em meus olhos aos ver os catadores de recicláveis 
Há tudo isso e muito mais e eu não sei o que dizer


Me apaixonei por uma menina que disse que ha uma prisão na cabeça dela. Ela está presa. Ela possui a chave. Ela não sabe abrir o cadeado. Ela quem chora toda noite na cela
Isso me bateu, me espancou


Há o cigarro que apaga rápido que consegue tornar a cidade nem tão amarga assim ou o céu nem tão impossível

Há um bater de pernas nervosas, de mãos suadas, de beijos gostosos. E nem isso basta
Nada basta, nada passa. Nada vira vertigem para eu delirar.

Me chamam de Zé e por um segundo acredito que posso ser diferente. Porém,  nem esse comando aciona o impostor de eu mesmo. 

Nada me cativa. Não ha raposas na minha varanda



A única coisa que faço é sentir.
Eu sinto muito
Sinto tudo.
Sinto todos a minha volta


Isso me contorce, me da dúvidas
Me da sentimento


Com o cigarro na mão,  vendo o limiar entre prédios e estrelas...

A única coisa que faço é sentir

quarta-feira, 13 de abril de 2016

os seus olhos falam uma língua difícil de entender


os seus lábios pequenos me tomam por inteiro


a sua voz, timidamente grossa, me arrepia. da calafrios


a sua pele, tão macia, permite a minha mão dançar, como bailarina


o seu suor me lava a alma.


e do seu ser, do seu jeito, eu me apaixono.
e do seu amor, eu aprendo como amar



Por que ainda assim me sinto tão distante de sua grandeza?



somente quero o nosso futuro, sem fantasia.



olhos azuis...
                           ...nos seus olhos posso ver as vitrines, te vendo passar.



você desáqua em mim
e eu oceano




sábado, 9 de abril de 2016

Poemeto da motivação

Preciso
Posso 
Devo
Temo
Nego
Levanto
Faço
Disciplina 
Foco 
Vontade
Persistência

Preciso 
Me alienar
Viver como um monge 
Matar um leão por dia
Ignorar a tudo e principalmente, a todas.



segunda-feira, 28 de março de 2016

Nota de "consulta cirurgia sp"

Barra funda - Sé (sentido Jabaquara ) descer na Santa Cruz ou Vera Cruz. Vai descer no shopping. Pegar busão hospital do servidor

Jovens do Marista aproveitam o horário do intervalo pra fumar
baforam nas pessoas suas almas, suas personalidades
ao mexer com as meninas da farmácia que só querem pegar uma mesa o quanto antes no restaurante.

Embaixador Macedo soares. é o nome escrito na placa
anoto o nome, afinal quero saber quem foi o cara
Penso: será que terei uma placa? E aqueles políticos ladrões que tem seus nomes em placas da periferia?
Ironia a periferia nao ter asfalto por conta deles? Acho que não

Chove nesse dia. demais
pego o ônibus. Está cheio

No hospital, demoro uns 30 minutos pra encontrar a sala
Senhoras estão na sala de espera
Tento estudar
Conto: 1,2,3... "É uma vergonha isso, mais que demora!" 
Acertei a hora exata em que a senhora começa a reclamar da saúde publica. Palmas para mim.

Escuto a médica, não gostei
terei que esperar, e a ela deixa na minha mão a decisão da cirurgia

Saio, decido voltar a pé para a estação
Sonho em morar em são paulo
Tecer minhas impressões sobre as pessoas, os muros, as tristezas, os amores
tudo isso que sp tem 
e esquece.

a aurora da cidade me envolve, quero ficar
queria saber o que faz sp ser tão marcante assim
se é toda charme de ser esquisitona
ou ou ar tá tão poluído que agora vicia a gente.

sábado, 12 de março de 2016

Notas de um chapado

o que habita em mim
está na parede
deserto
silêncio 
concreto


está na escuridão 
amor 

paixão.

está na solidão 
na esperança 

no gosto forte de uma doce lembrança

na primavera 
na noite
na show de medos e horrores 


exige a magia das luzes 
o calor do amor 
o sangue das cruzes
e a clarência 
da dor


À espera da esperança 
Que representa todas as crianças.