sábado, 30 de abril de 2016

Sentado na varanda, de cueca e pés gelados
eu confundo a cidade.

suas ruas pintadas de amarelo, a aluz que atinge a tudo
as luzes minisculas no fundo parecem até lampadas de natal

os gatos, bem boemios e amigos da noite, se aventuram.
os cães, presos, latem por liberdade desejando a vida de seus inimigos

acendo um cigarro, um clarinho de luz na sombra da noite
vejo o céu, ele quer falar alguma coisa
suas súplicas são enviadas em clarões
e iluminam o cobertor escuro que esconde as estrelas
                                              talvez elas estejam dormindo


...
uma estrela surge
sei que ela deseja me dizer algo
ela vai e vem, some e aparece mantendo seu mistério
não consigo decifrar

e eu permaneço sentado. decifrável, vulnerável.
                                                                             elas não.

...


uma estrela sonambula surge
se despe para mim
atordoa meus olhos
                                me encanta


e eu ascendo mais um cigarro
imaginando, esperando
                                        
                                                o dia que terei uma estrela para mim


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