quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Quando volto para casa o meu pé dói 
Como seu meu pé estivesse maior que o tênis

O carro funerário é a locomotiva que puxa a fileira de carros
No rosto das pessoas, remorso e solidão
A linha fina que puxa um carro ao outro desassossegado meu passamento
E eu me incomodo com a parte de baixo da camisa, que fica subindo quando bate na mochila, conforme eu vou andando

Um senhor desconhecido me cumprimenta
Me diz oi eu digo opa
E a vida futura segue
Com a calma de que as coisas assim são as melhores

As unhas encardida do dono da pastelaria não me preocupam
Nem o band-aid em seu pé

Decifro o cabelo daquela morena
Que em seus olhos guarda em miúdos uma simplicidade divina

Carros importados escapamentos furados
Nada importa a não ser a beleza dos seres

Em uma praça,  um senhor sossegado ao lado bar divide a calçada com sacolas de lixo
Ele fuma atenciosamente seu cigarro
E levanta cada copo de cerveja com paciência
Não ha tempo nem pressa
Somente o cigarro e a cerveja
Devagar ele acende mais um
E como para não perder cada gota ele bebe mais um
Ha beleza no velho da praça?

Ou ha beleza na floricultura ao seu lado
Que permanece imóvel ao tempo e aos prédios
Como um ato rebelde ao cinza
Ha beleza na floricultura?

Eu não sei bem
Mas eu quero saber de tudo
Quero estar em todos os lugares
Quero ser todos e faltar de todos

Pois se não ha imagem que mais define tudo do que um velho e a floricultura
Eu não sei o que há 

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