É tão normal
Que ninguém percebe
O quanto a desigualdade é visceral
Multidão monocromática, se protegendo do frio
Se aquecendo somente com o arrepio
Você não sabe quanta coisa se entende
Vendo nessa gente, a marca doente
Que forma no olhar, transformando dor
Em suor, do pobre trabalhador
Mais uma fila, dessa vez do ônibus
Transformando a força decadente do operário
Do Estado-protozoário
Em presa fácil dos urubus
Aqui perto tem uma praça
De vez em sempre dormem uns mendigos
Vexados, "grandes perigos"
Banhados a imagem de grande murraça
E nos seios pátria mãe tão gentil
Esses, dormem!
Embaixo da bandeira da nação
Que não protege seu provável filho
De não fugir do trocadilho
E da triste dor da negação
No outro lado tem um shopping
Também de prováveis filhos seus
Mortos trabalhando nesse imenso coliseu
Chego ao hospital, tive febre
Eram 14:40, agora já são 16:44
Em meio ao desanimo, você escuta Histórias.
Mas é simples: Todos estão cansados.
Vou para casa então, vou caminhando
Lá, leio comentários das notícias: quanta asneirada!
Porém, me conforto nas atividades da companheirada
E já sinto em meu coração: a revolução está chegando.
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